A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva passou a buscar maior unidade na reta final da disputa pela reeleição, após um período de divergências internas e impactos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados do presidente avaliam que a falta de direção em parte da campanha prejudicou o desempenho da candidatura.
O conflito envolveu uma ala liderada por Edinho Silva, presidente do PT e coordenador nacional da campanha, e outra ligada a Sidonio Pereira, ministro da Secom. Entre os pontos de discordância estavam a estratégia e o momento de anúncio de medidas. Sidonio defendia, por exemplo, que a proibição das bets fosse anunciada antes.
Na avaliação de aliados, o fim das apostas online, a oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS e o aumento do Bolsa Família ajudaram a impulsionar a campanha. Nas últimas duas semanas, o diagnóstico interno passou a ser de reação, com maior alinhamento entre os grupos e mais mobilização da militância nos estados.
A crise no STF também influenciou a estratégia. O episódio envolvendo Alexandre de Moraes levou a campanha a adotar maior distância em relação ao ministro. Nesse contexto, integrantes da campanha passaram a usar o discurso do “doa a quem doer”. A Polícia Federal registrou encontros e mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material também apontou negociações relacionadas a contratos do escritório de advocacia da esposa do ministro.
A participação de Lula no debate da TV Globo foi outro ponto de divergência. Uma ala defendia que o presidente comparecesse; outra considerava que ele poderia se tornar o principal alvo dos demais candidatos. Lula decidiu não participar.
Aliados afirmam ainda que Flávio Bolsonaro tem um teto. Pesquisas internas da campanha indicam Lula à frente no primeiro e no segundo turnos. O diagnóstico atual é de maior alinhamento, com discurso definido, novas medidas e mobilização ampliada nos estados.



