NOVA YORK — O discurso de Lula na Assembleia-Geral da ONU mistura posições tradicionais da diplomacia brasileira com mensagens voltadas à disputa eleitoral de 2026. A fala, feita na terça-feira 22, é alvo de um pedido de Flávio Bolsonaro ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir o PT de usar trechos em propaganda eleitoral.
O senador aparece empatado com Lula nas simulações de primeiro e segundo turnos da corrida ao Palácio do Planalto, conforme a mais recente pesquisa Datafolha. A fala recebe aplausos em pelo menos três ocasiões e pode alcançar eleitores independentes, considerados decisivos na próxima eleição.
O discurso é elaborado por Audo Araújo Faleiro e Sidônio Palmeira. Faleiro, braço direito do ex-chanceler Celso Amorim, atua como assessor especial da Presidência para assuntos internacionais. Palmeira é ministro da Comunicação Social da Presidência e marqueteiro da campanha vitoriosa de Lula em 2022.
Na primeira parte, Lula critica a perda de força do multilateralismo, os conflitos armados e ameaças militares e tarifárias feitas por grandes potências. Embora boa parte da fala seja direcionada a Donald Trump, o presidente não cita o nome do norte-americano.
Mensagens para o eleitorado
Na sequência, o discurso aborda temas da política brasileira. Lula defende a soberania nacional e afirma: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. A frase é apresentada como uma crítica indireta a Flávio Bolsonaro e ao entusiasmo que o senador teria demonstrado com a possibilidade de os Estados Unidos atacarem barcos de traficantes na Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro.
Lula também defende o Pix e o fim da escala de trabalho 6 x 1, pautas que contam com apoio da maioria da população. Ele retoma ainda a caracterização da eleição como uma disputa entre democracia e autoritarismo, com menções ao negacionismo.
“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros”, diz Lula.
As frases de maior impacto são publicadas no Instagram oficial do presidente e chegam, até a manhã de sexta-feira 25, a cerca de 200 000 mil curtidas cada uma.



