A família Bolsonaro é descrita como um grupo radical e disfuncional, marcado por um estilo paranoico de atuação política e pela disputa interna sobre a sucessão de Jair Bolsonaro. O perfil aborda o ex-presidente, os filhos Flávio, Carlos e Eduardo e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Jair Bolsonaro é apresentado como um demagogo de extrema direita e líder de um movimento populista conservador com tons religiosos. O ex-presidente é classificado como um rei-sol em declínio, em torno do qual orbitam a mulher e os três filhos mais velhos, chamados por ele de “01”, “02” e “03”.
O perfil também cita a aproximação de Bolsonaro com Donald Trump, o aumento da destruição da floresta amazônica e a condução da pandemia de Covid-19. O ex-presidente é descrito como preso e condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Os filhos e a disputa familiar
Flávio Bolsonaro, 45, aparece como o moderado autodeclarado da família e como o filho mais tranquilo. Ele também é apresentado como o “Bolsonaro vacinado”. Carlos Bolsonaro, 43 anos, é descrito como estrategista das redes sociais e chamado pelo pai e pelo irmão de “pit bull da família”. Eduardo Bolsonaro, 42, é apontado como o filho mais parecido com Jair. O ex-deputado teve o mandato cassado e está foragido nos Estados Unidos por temer uma condenação relacionada à trama golpista de 2023.
A disputa entre os filhos e Michelle Bolsonaro é apresentada como uma briga pelo espólio eleitoral de Jair Bolsonaro. O episódio envolvendo Michelle e Flávio em junho teria exposto uma fissura dentro da família que representa a direita e a extrema direita no país.
O pastor Silas Malafaia, que celebrou o casamento de Jair e Michelle, resumiu a disputa como uma questão de herança política: “A briga é sobre quem vai carregar o nome”.
O perfil também menciona as ligações de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, preso por suspeita de fraudes financeiras. O filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, recebeu financiamento de Vorcaro. Flávio pediu US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época, e recebeu pelo menos R$ 61 milhões.
Cenários eleitorais
Para 2026, são considerados três cenários. Uma vitória de Flávio consolidaria os Bolsonaro como uma dinastia política. Ele poderia pressionar o Congresso Nacional pela anistia dos golpistas presos pelo 8 de Janeiro, provocando uma crise com o Supremo Tribunal Federal.
O deputado federal Lindbergh Farias, vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados, afirmou que uma vitória de Flávio seria “quase a transformação do Brasil numa colônia americana”.
Em caso de derrota, uma pessoa próxima a Jair Bolsonaro disse que o ex-presidente avaliou: “a era Bolsonaro acabou”. Nesse cenário, uma direita mais moderada poderia ganhar espaço, representada por nomes como Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo.
O terceiro cenário prevê a derrota de Flávio e Carlos e a vitória de Michelle Bolsonaro no Senado. Ela passaria a ser a integrante da família com o mandato nacional mais importante e manteria ativo o projeto político dos Bolsonaro.



