SÃO PAULO — O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) defende a quebra dos sigilos que ainda protegem informações das investigações sobre o Banco Master, incluindo os dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para ele, a divulgação permite esclarecer conexões citadas nas apurações e dar à população condições de avaliar os fatos.
Durante agenda de campanha na Avenida Paulista nesta terça-feira (15), Haddad afirma que a retirada de sigilo deve alcançar todo o material que possa ser divulgado sem comprometer as investigações. “Ainda tem muita coisa que precisa vir à tona e que ainda está sob sigilo”, declara.
A cobrança ocorre após a divulgação de novos conteúdos extraídos do celular de Vorcaro. Mensagens mencionam pessoas próximas a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), além de advogados ligados a ministros da Corte.
Conversas entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, citam Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, e pagamentos feitos por meio da Consult Inteligência Tributária. Kevin Marques afirma que não prestou serviços ao Banco Master nem recebeu recursos de Vorcaro. A assessoria dele diz que foram recebidos R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos tributários, sem relação com o STF.
Também aparecem convites enviados a Vorcaro para eventos do Instituto Iter, entidade fundada pelo ministro André Mendonça. O magistrado deixou o instituto no início de setembro e assumiu em fevereiro deste ano a relatoria das investigações sobre o Banco Master. Outros diálogos indicam uma relação entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, em mensagens trocadas entre maio de 2024 e agosto de 2025.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), que acompanhou Haddad na agenda, também defende a abertura dos sigilos e o aprofundamento das apurações. “A sociedade, a população espera, é a quebra de todos, todos os sigilos”, afirma. Alckmin relaciona a criação do Banco Master e a trajetória de Vorcaro ao governo de Jair Bolsonaro (PL).
Na sexta-feira (11), o STF disponibiliza cerca de 4 mil arquivos, que somam 25,3 GB entre documentos, vídeos e áudios. A liberação ocorre após a retirada do sigilo determinada pelo relator André Mendonça, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
Na segunda-feira (14), a Polícia Federal entrega cópias dos dados do celular de Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Nesta terça-feira, o plenário discute as mensagens envolvendo Vorcaro e Alexandre Moraes. O debate é interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino, e a definição sobre os próximos passos do julgamento fica adiada.



