O acervo da investigação sobre o Banco Master mostra que pessoas ligadas a Daniel Vorcaro tiveram acesso a informações sigilosas de apurações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Os dados foram divulgados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
Relatórios da Polícia Federal indicam que sistemas do MPF foram acessados com uso indevido de credenciais de servidores públicos. A PF ainda não sabe se os dados foram obtidos por ataque hacker ou cedidos pelos próprios servidores. Os acessos teriam ocorrido a partir de 2024.
Em fevereiro de 2024, Vorcaro encaminhou a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’, a imagem de uma portaria de inquérito instaurado pela PF em São Paulo. Na mensagem, afirmou: “consegui acesso aqui”. Mourão respondeu posteriormente com um áudio de um policial aposentado, que disse ter feito contato com a ‘tropa’ e que daria atenção especial ao pedido.
No mês seguinte, Mourão enviou uma consulta de processo no sistema Único e afirmou ter conseguido “acesso total nível máx.”. A imagem mostrava que a entrada ocorreu por meio da conta de uma servidora do MPF. Para a PF, o acesso integral em curto intervalo, apesar do sigilo máximo, indicava possível quebra de protocolos de segurança ou uso inadequado de prerrogativas funcionais.
Suspeitas envolvendo servidores do BC
Em janeiro deste ano, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, encaminhou ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, um ofício com suspeitas de corrupção contra dois servidores que atuavam na supervisão do Sistema Financeiro Nacional. O documento foi anexado a um processo relacionado às fraudes do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Os citados são Bellini Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, sub-chefe do setor. Segundo o documento, eles poderiam ter recebido “substanciais quantias” ligadas ao esquema. Galípolo informou que os fatos poderiam, em tese, configurar corrupção.
A apuração interna do BC começou após o depoimento anônimo de uma testemunha, que relatou o recebimento de valores pelos dois servidores. A Corregedoria-Geral do BC classificou as acusações como muito graves e, depois da investigação, encaminhou as suspeitas à PF.
O material também registra que Vorcaro acionava o ministro do STF Alexandre de Moraes para tentar interceder junto a Andrei Rodrigues, inclusive com a proposta de adiar uma operação policial.



