FLORIANÓPOLIS — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a proibição das plataformas de apostas online durante um comício de campanha em Santa Catarina, neste sábado (19). Ele afirmou que considera as bets um dos principais vetores de endividamento da população e disse estar determinado a impedir a atuação dessas empresas no Brasil.
Lula declarou que reflete há dois meses sobre o papel das apostas. “A verdade é que eu quero acabar com as bets”, afirmou. Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP), aponta que o setor reduziu o consumo e retirou entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica em 2025. O impacto equivale a 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
A pesquisa também avalia que a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões, caso tivesse sido financiada por novo crédito, representaria cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025. A hipótese considera um crescimento de cerca de R$ 450 bilhões no saldo do crédito para pessoa física.
Críticas aos clubes e à família Bolsonaro
O presidente rebateu o manifesto divulgado por clubes de futebol, que associaram a proibição das bets ao fim do futebol no país. Lula citou o desempenho da seleção brasileira antes da existência das plataformas e rejeitou a ideia de financiar o esporte com apostas feitas pela população de baixa renda. “O futebol não pode querer sobreviver às custas do povo pobre”, disse.
Na sequência, Lula criticou a família Bolsonaro e mencionou, sem citar Flávio Bolsonaro (PL), uma proposta atribuída ao adversário na disputa presidencial. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, conforme o próprio tribunal. Lula também pediu que o STF apure todos os envolvidos no Caso Master.
Agronegócio em Santa Catarina
O agronegócio também foi tema do discurso. Lula cobrou reconhecimento dos produtores rurais pelos investimentos federais e sugeriu ao candidato ao governo Gelson Merísio (PSB) que reúna ruralistas catarinenses para questionar por que eles não apoiam o governo.
O presidente afirmou que seus governos abriram 118 mercados internacionais para as quatro principais proteínas animais de Santa Catarina. O palanque reuniu ainda os candidatos ao Senado Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT), além de candidatos a deputado estadual e federal. Mesmo com chuva e tempo fechado, a militância participou do evento.




