SÃO PAULO — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou neste sábado (19) que Milton Leite terá espaço para se defender, mas deve responder pelos atos que lhe são atribuídos. O ex-vereador foi preso no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas envolvendo o transporte público de São Paulo.
A declaração ocorreu durante a abertura da Virada Esportiva, no Pacaembu, um dia depois de Leite se apresentar à Polícia Civil em Mogi das Cruzes. Nunes disse que não pretende antecipar qualquer conclusão sobre a culpa do antigo aliado. Segundo o prefeito, caberá ao Ministério Público apresentar as acusações e à Justiça decidir o caso.
Nunes também afirmou que não conversou com Milton Leite nem com os filhos dele desde a prisão.
Relação política e investigação
Milton Leite foi presidente da Câmara Municipal de São Paulo e uma das principais lideranças do União Brasil no estado. Ele participou da articulação da base municipal durante as gestões de João Doria, Bruno Covas e Ricardo Nunes.
Em 2024, Leite colocou o próprio nome à disposição para ser vice de Nunes na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A vaga ficou com o coronel Ricardo Mello Araújo. No fim daquele ano, Leite deixou a Câmara, mas continuou atuando nos bastidores da política municipal.
A investigação é conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A apuração examina suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, fraudes em licitações e uso de empresas e agentes públicos em operações relacionadas ao setor de ônibus. Também são investigadas possíveis relações entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), empresas do transporte coletivo e campanhas eleitorais.
Deflagrada na quinta-feira (17), a operação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, o caso é um desdobramento da Operação Decúrio, de 2024.
Leite está entre os alvos da investigação. Os investigadores apontam indícios de participação dele em decisões ligadas a empresas de transporte e analisam depoimentos e comunicações apreendidas. Uma das frentes envolve a Transwolff, que já havia sido alvo da Operação Fim da Linha.
Na sexta-feira (18), Leite foi à Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, acompanhado de um advogado, e acabou preso. A Justiça manteve a custódia no sábado. A prisão temporária tem prazo de 30 dias.
Antes da audiência de custódia, o ex-vereador teve um pico de pressão e recebeu atendimento médico. O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que, depois da realização da sessão, não identificou irregularidades no cumprimento da prisão.
Milton Leite nega ligação com o PCC e rejeita ser apontado como dono de fato da Transwolff. Ele afirma que pretende provar a inocência e que sua atuação no transporte ocorreu no campo político e institucional. A prisão temporária não representa condenação, e a investigação continua em andamento.



