SÃO PAULO — Uma casa na rua General Bráulio Guimarães, em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, é alvo de furto na noite deste domingo (20), por volta das 21h15. O imóvel é apontado como ligado ao ex-vereador Milton Leite e funcionaria como escritório político do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
A Polícia Militar registra a ocorrência como furto em residência no 11º Distrito Policial. Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o imóvel é encontrado revirado, com documentos espalhados que identificam Milton Leite como proprietário. Durante a varredura, os agentes apreendem dinheiro em espécie e papéis diversos.
Os criminosos teriam levado o disco rígido (HD) que armazenava as gravações do circuito interno de segurança. A Polícia Militar não confirma nem nega oficialmente a titularidade da casa. A autoridade policial realiza diligências para reunir informações e obter imagens de imóveis do entorno que possam ajudar na identificação dos autores. A perícia técnica é requisitada, e o local permanece preservado.
Investigação contra ex-vereador
Milton Leite cumpre prisão temporária de 30 dias em um presídio de Mogi das Cruzes. Ele é investigado pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, por suspeitas relacionadas à infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público por ônibus da capital.
O mandado de prisão temporária é expedido na quinta-feira (17), durante a Operação Vectura Corrupta. O ex-vereador permanece foragido até a tarde de sexta-feira (18), quando se entrega em uma delegacia de Mogi das Cruzes. Investigadores afirmam que ele seria o proprietário de fato da empresa de ônibus Transwolff e participaria do gerenciamento de companhias de transporte sob controle da organização criminosa.
No sábado (19), enquanto está custodiado, Milton Leite relata mal-estar e pede atendimento hospitalar antes da audiência de custódia. “Estava na fila da custódia, mas passou mal e foi socorrido antes da audiência”, declara uma fonte ligada às investigações. O procedimento deve ocorrer de forma virtual. As autoridades médicas não divulgam detalhes sobre o estado de saúde do investigado.
Operação e defesas
A Operação Vectura Corrupta investiga uma rede com atuação em áreas administrativas e políticas. Também são investigados Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva (PL), ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande.
A operação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em municípios paulistas, entre eles São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. As apurações investigam suspeitas de fraude em licitações, manipulação de empresas de transporte público, articulação de apoios políticos e direcionamento de financiamento de campanhas eleitorais. O caso inclui ainda a chamada “Sintonia dos Gravatas”, grupo de advogados que atuaria na defesa e na promoção dos interesses da organização criminosa.
Ao ser levado ao Instituto Médico Legal (IML) na sexta-feira (18), Milton Leite nega as acusações: “Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito”. Alexandre Leite, filho do ex-vereador, também defende o pai e classifica a medida judicial como injusta em uma publicação nas redes sociais no sábado (19).



