Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes, depois que novas mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro foram divulgadas pouco antes da sessão.
Os diálogos indicavam que outros julgadores poderiam ter proximidade com Vorcaro. O conteúdo colocou em discussão a participação de ministros na análise do caso, que envolve supostas relações impróprias entre Moraes e o banqueiro.
Cristiano Zanin mencionou durante a sessão da última terça-feira, 15, que já havia recebido um pedido sigiloso da Polícia Federal para investigar um integrante do STF. O ministro não revelou o nome do colega, mas afirmou que ele teve a oportunidade de se manifestar. Depois, Zanin encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República, que pediu o arquivamento.
“Já recebi ofício da Polícia federal pedindo investigação de um membro deste Supremo Tribunal Federal”, disse Zanin. O procedimento foi identificado como Pet 13228 e ocorreu durante a presidência de Luís Roberto Barroso.
Mensagem atribuída a ministro
O nome de Nunes Marques havia aparecido em investigações sobre um esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), relacionado a mensagens trocadas com o lobista Andreson Gonçalves. Em uma conversa, um perfil que usava o nome do ministro tratava do possível retorno ao cargo do desembargador João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça do Mato Grosso.
“Só acompanhar… Estamos sempre juntos… confiança entre nós é inabalável”, dizia a mensagem atribuída ao perfil. As investigações concluíram que o conteúdo era uma montagem. A petição sigilosa relacionada ao episódio acabou arquivada após solicitação da Procuradoria-Geral da República.
O caso voltou ao debate no julgamento enquanto ministros analisavam as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. O episódio também ocorre após três integrantes da Corte — Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes — acessarem, no último dia 14, o conteúdo de um dos telefones do banqueiro.
A discussão se soma à existência de um contrato de 129 milhões de reais entre o banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, divulgado no final de 2025.


