A Polícia Federal abriu uma apuração preliminar sobre uma possível interferência externa no processo eleitoral brasileiro. A iniciativa ocorre após a Advocacia-Geral da União encaminhar uma representação à corporação, que direcionou o caso à Diretoria de Inteligência.
A apuração ainda está em fase inicial. Não houve publicação de uma portaria formal de inquérito, embora as diligências já tenham começado. O pedido da AGU foi motivado por informações sobre o possível envio de cerca de R$ 5,2 bilhões a grupos no Brasil por meio de um programa ligado ao governo dos Estados Unidos. A suspeita é de uma tentativa de influenciar o cenário político brasileiro.
A Procuradoria-Geral da República avaliou que não havia provas ou elementos mínimos para justificar a abertura de um inquérito sobre o assunto.
Alertas de segurança
Na sexta-feira (2), as embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália suspenderam o atendimento ao público no Brasil. As representações citaram preocupações com a segurança, sem detalhar os riscos ou informar se a decisão estava relacionada às eleições.
A embaixada australiana comunicou o fechamento da representação em Brasília e orientou cidadãos a evitar instalações diplomáticas norte-americanas e áreas próximas. O comunicado também mencionou o risco global de terrorismo.
Canadá, Irlanda, Reino Unido e Alemanha emitiram avisos para que seus cidadãos adotassem cautela durante a permanência no Brasil no período eleitoral. Os comunicados recomendaram atenção e acompanhamento das orientações das autoridades locais, sem apontar ameaças específicas ou riscos concretos ligados à votação.
PF separa os casos
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou neste domingo (4) que não foram encontradas evidências de ameaças reais contra representações diplomáticas no país. “Não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse algum risco efetivo contra qualquer embaixada”, declarou.
Rodrigues disse que a apuração sobre eventual interferência estrangeira e as investigações relacionadas aos alertas de segurança são procedimentos distintos. “São inquéritos separados”, afirmou. Uma possível conexão entre os casos só poderá ser analisada se surgirem novos elementos.



