Um grupo de bancos alerta que o uso de agentes de inteligência artificial para pesquisar produtos e concluir compras pode aumentar os riscos de golpes, fraudes e vazamento de dados. Entre as instituições estão Bank of America, NatWest, ING, Capital One, Commonwealth Bank of Australia e ASB Bank.
Esses sistemas vão além dos chatbots tradicionais. Eles podem receber uma instrução, pesquisar lojas, comparar preços, preencher formulários e usar um meio de pagamento autorizado pelo consumidor. Uma ordem como encontrar um notebook por até R$ 4 mil e comprar a melhor opção pode ser executada de forma praticamente autônoma.
O modelo é chamado de comércio agêntico e começa a ser adotado por empresas de tecnologia e pagamentos. A John Lewis informou que a parcela de buscas originadas por agentes de IA em seu site passou de 0,3% para 2,5% em um ano.
Dados e decisões sob risco
Os bancos afirmam que os agentes podem lidar diretamente com informações financeiras sensíveis, como dados de cartão. Também podem direcionar o consumidor para formas de pagamento com menos mecanismos de proteção.
Há ainda o risco de o sistema interpretar uma instrução de maneira incorreta, comprar um produto diferente, gastar mais do que o esperado ou escolher um vendedor pouco confiável. Em caso de fraude ou transação indevida, os consumidores ainda não sabem se devem procurar o agente, a loja, o banco ou a empresa responsável pelo modelo.
A privacidade também preocupa. Quanto maior a autonomia do agente, maior pode ser o volume de informações pessoais, financeiras e comportamentais exigido para concluir uma compra.
Propostas de proteção
As instituições defendem que os agentes informem quando participam de uma transação e expliquem como chegaram a determinadas decisões. Também pedem regras específicas para proteger dados financeiros e garantir que o consumidor escolha quais serviços podem agir em seu nome.
Mastercard e Visa desenvolvem mecanismos de autorização para agentes, com cartões virtuais, limites de gasto e registros do que foi autorizado antes da compra. Até que essas proteções estejam disponíveis, a recomendação é que o usuário confira produto, loja, preço e meio de pagamento antes de autorizar a transação.



