Aliados de Mateus Simões (PSD) atribuem parte das dificuldades da candidatura ao governo de Minas Gerais ao desempenho da campanha presidencial de Romeu Zema (Novo). A avaliação é que o governador deixou de ser um ativo eleitoral para o grupo ao longo dos últimos meses.
A análise também alcança a estratégia de comunicação adotada durante os anos de governo Zema. Para os aliados, faltou presença sistemática da administração em rádio e televisão para apresentar realizações, programas e resultados.
A percepção é que o governo comunicou pouco nesses meios e, na reta final da eleição, não encontrou tempo suficiente para apresentar ao eleitor o legado que pretendia defender. A administração priorizou as redes sociais, a exposição do próprio Zema e uma comunicação mais enxuta, alinhada à imagem de austeridade cultivada pelo NOVO.
Segundo essa leitura, a estratégia ampliou a distância entre o que o governo considera ter realizado e aquilo que o eleitor reconhece como resultado da gestão. O efeito aparece agora para Simões, que precisa defender uma administração da qual participou e que pretende representar, mas enfrenta dificuldades para converter esse legado em votos.
A tarefa se torna mais complexa porque o candidato à sucessão não tem, por si só, uma imagem suficientemente conhecida para ocupar o espaço deixado pelo governador. Simões precisa defender a continuidade do governo Zema sem parecer apenas um substituto e, ao mesmo tempo, se afastar das limitações da estratégia de comunicação adotada pelo grupo.
Esse movimento ocorre enquanto Zema está envolvido em uma disputa nacional que, na avaliação dos aliados, não alcançou a dimensão pretendida. Para a campanha, o cenário expõe um paradoxo: o principal cabo eleitoral precisa sustentar o legado que Simões apresenta, mas já não oferece a mesma força eleitoral esperada no início do processo.



