RIO DE JANEIRO — O escritório Barci de Moraes confirma que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, empresa responsável pelo gerenciamento de um jatinho ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A banca também admite que Viviane Barci de Moraes viajou em algumas ocasiões acompanhada do marido, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A manifestação ocorre após a divulgação de um vídeo que mostra o casal desembarcando de um jatinho Legacy, de prefixo PP-NLR, no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A gravação, feita por uma câmera de segurança, é registrada como sendo de 22 de agosto de 2023. O escritório não contesta a autenticidade das imagens.
Em nota, a banca afirma que Daniel Vorcaro não estava nos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório. Também diz que não houve presença de pessoas externas à equipe e que a contratação dos serviços seguiu critérios operacionais, sem vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos.
“Em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes”, afirma o comunicado.
Contrato com o Banco Master
O escritório de Viviane manteve um contrato de 131 milhões de reais com o Banco Master. Segundo as investigações da Polícia Federal, outro acordo, de 50 milhões de reais, chegou a ser negociado. Parte do pagamento seria feita por meio de viagens de avião e helicóptero.
A banca nega, porém, que tenha mantido vínculo com a Prime Aviation para essa finalidade. Também afirma não ter contrato de serviços advocatícios com a empresa nem ter comprado cotas da companhia.
Conversas obtidas pela Polícia Federal entre Daniel Vorcaro e Marcos Matta, dono da Prime Aviation, indicam que Alexandre de Moraes e Viviane podem ter usado os serviços aéreos mais de uma vez. Em diálogo de 16 de junho do ano passado, Matta afirma: “Já usaram aviões e helicópteros”.
Vorcaro está preso na Papudinha. No Supremo Tribunal Federal, um pedido de vistas do ministro Flávio Dino adiou a decisão sobre a abertura de investigação relacionada aos atos de Moraes no caso do Banco Master. Dino tem até 90 dias para devolver o julgamento aos demais ministros.


