RIO DE JANEIRO — O escritório da advogada Viviane Barci afirma que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation e nega ter vínculo pessoal com proprietários ou operadores das aeronaves. A manifestação ocorre após a divulgação de um vídeo que mostra Viviane e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
As imagens foram registradas em 22 de agosto de 2025. O voo foi realizado no Legacy 650 de prefixo PP-NLR, operado pela Prime Aviation e ligado à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A. A aeronave aparece em documentos e mensagens recolhidos pela Polícia Federal nas investigações relacionadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O escritório Barci de Moraes diz que contrata diferentes empresas de táxi aéreo e que a escolha do avião cabe à companhia contratada. A banca também afirma que não mantém contrato de serviços advocatícios com a empresa de aviação e que não comprou cotas da Prime Aviation.
“A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos”, afirmou o escritório.
A nota confirma ainda que Alexandre de Moraes acompanhou Viviane em alguns deslocamentos. Segundo a banca, Vorcaro não esteve em nenhum desses voos e não havia outras pessoas estranhas ao escritório nas aeronaves utilizadas por seus integrantes.
Mensagens e minuta de contrato
O PP-NLR também é citado em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. Em uma conversa de 21 de agosto de 2025, uma interlocutora identificada como “Thatiane Prime” informou que o avião estava programado para voar para “Barci” no dia seguinte. Vorcaro respondeu: “Não deixe de atender Barci”.
A troca indica que Vorcaro recebeu informação sobre a reserva e orientou a manutenção do atendimento. O conteúdo, porém, não demonstra que ele estivesse no voo nem que Moraes e Viviane tivessem negociado diretamente com ele o deslocamento.
As investigações também reúnem uma minuta de contrato de até R$ 50 milhões entre o escritório e uma empresa ligada a Vorcaro. O documento previa cotas relacionadas a um Legacy 650 e a um helicóptero. O escritório afirma que a proposta não foi aceita, não foi assinada e não resultou na aquisição das cotas.
Em abril, Moraes havia declarado que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”. O ministro nega irregularidades relacionadas ao caso, e o escritório rejeita a interpretação de que os deslocamentos indiquem uma relação pessoal com Vorcaro.
Petição em análise no STF
As informações sobre Moraes integram a Petição 16.662, que tramita no Supremo. O mérito ainda não foi julgado pelo Plenário.
Na sessão de 15 de setembro, os ministros discutiram questões processuais, incluindo a possibilidade de tramitação conjunta da Petição 16.662 com outro procedimento relacionado ao caso Master. A análise foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
O STF informou que o mérito da petição ainda não havia sido examinado. A nova manifestação do escritório sustenta que os deslocamentos ocorreram por meio de serviço regular de táxi aéreo e que a empresa contratada definia a aeronave usada em cada viagem.



