O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirma que o candidato não sabia que era investigado no caso Dark Horse antes da retirada do sigilo do procedimento. A declaração ocorre nesta terça-feira (15).
Marinho diz que nem Flávio nem sua defesa tinham conhecimento da inclusão formal do senador no inquérito. A investigação se tornou pública depois que o sigilo de procedimentos relacionados ao Banco Master foi levantado.
“Nem o senador Flávio Bolsonaro sabia, porque estava dentro do inquérito. Ele não foi acionado, o advogado não falou. Soubemos quando caiu o sigilo”, afirma Marinho.
O senador também declara que a apuração foi aberta pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após um pedido relacionado a informações da Polícia Federal. Marinho defende a continuidade da investigação.
Investigação sobre o financiamento
Documentos públicos mostram que Flávio Bolsonaro é investigado no caso desde julho. Em 22 de julho, Mendonça autoriza a abertura de um inquérito policial para apurar a possível participação do senador em crimes relacionados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.
A abertura é solicitada pela Polícia Federal e recebe parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Conforme o pedido da PF, os investigadores apuram possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos ligados ao financiamento da produção.
A investigação envolve um repasse de R$ 61 milhões atribuído a Vorcaro para custear o filme. A suspeita é que os recursos tenham sido disponibilizados a pedido de Flávio Bolsonaro. Gravações divulgadas mostram o senador solicitando recursos a Vorcaro para o projeto. Flávio não nega a autenticidade dos áudios e afirma não haver irregularidades na busca de financiamento privado.
André Mendonça também homologa a colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Ele é apontado como responsável por repasses ligados ao projeto para o fundo Havengate, nos Estados Unidos.
Outros alvos
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal cassado, também aparece como alvo da investigação e é apontado como possível beneficiário de parte dos recursos.
Outra frente apura o possível uso de recursos públicos. Em operação realizada em 10 de setembro, a Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão sobre suspeitas de desvio de verbas de emendas parlamentares. Entre os alvos estão o deputado Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, ligada ao filme.



