Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro registram que o advogado Ciro Soares comemorou com o ex-banqueiro uma decisão de André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que beneficiou Cláudio Castro, então governador do Rio de Janeiro, em 2024.
Em 10 de outubro de 2024, Mendonça concedeu habeas corpus a Castro e determinou o trancamento de investigações contra o político do PL no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na mesma data, Soares enviou a Vorcaro a mensagem: “Deu certo. Eu lhe disse. Ganhamos.”
Depois de comunicar o resultado, o advogado encaminhou um anexo ao ex-banqueiro. O documento aparenta ser a decisão obtida no Supremo. Cinco dias depois, Soares pediu que Vorcaro entrasse em contato por telefone. Uma chamada foi feita, mas não atendida. Na sequência, o advogado escreveu “Opa”, apagou três mensagens e recebeu de Vorcaro: “Show. Você é fera.”
Relação com Mendonça
Ciro Soares também levou Daniel Vorcaro ao escritório de André Mendonça em São Paulo, em 2025. O advogado fez campanha pela indicação de Mendonça ao STF em 2021, quando Jair Bolsonaro escolheu o então advogado-geral da União para a vaga. A aproximação entre os dois teria começado naquele período.
Conversas encontradas no celular mostram ainda Soares como intermediário de convites feitos por Mendonça a Vorcaro para eventos no Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados e Relações Institucionais (Iter), fundado pelo ministro. Os convites ocorreram em 2025, meses antes da prisão de Vorcaro.
Em 26 de maio de 2026, poucos dias depois de uma reunião entre Vorcaro e Mendonça em São Paulo, Soares citou Cezinha de Madureira, deputado do PL e apoiador da indicação de Mendonça ao Supremo, além de Jarbas Soares, primo do advogado.
Soares afirmou que havia divergência sobre a presença de Vorcaro em um evento. Segundo a mensagem, Mendonça queria convidá-lo para a atividade de sexta-feira, enquanto Cezinha preferia que ele não comparecesse. Soares e Jarbas, escreveu o advogado, não viam problema na ida.
Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, é citado em investigações sobre relações financeiras e políticas envolvendo o banco e figuras públicas. As mensagens registram contatos, convites e tratativas entre ele, integrantes do entorno de Mendonça e políticos do PL.



