A decisão de André Mendonça que afasta provisoriamente Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal amplia a pressão sobre Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo. O ministro questiona a produção de relatórios de inteligência sobre sua atuação e expõe suspeitas levantadas por policiais contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.
O documento citado por Mendonça teria monitorado o ministro do Supremo Tribunal Federal e o advogado-geral da União. A análise também colocava em dúvida a atuação de Messias por causa de sua proximidade com Mendonça, que trabalhou pela indicação dele ao Supremo. A nomeação, porém, não passou pelo Senado.
Relatório e escolha para o Supremo
Mendonça critica o relatório por mencionar que os dois são evangélicos e por tratar a matriz religiosa comum e o apoio obtido em igrejas evangélicas como elementos de suspeição. O ministro também afirma que o documento avançou sobre a escolha de Messias para a vaga aberta pela aposentadoria de Luis Roberto Barroso.
Lula pretende reapresentar a indicação de Messias ao Senado. A decisão registra ainda que policiais avaliaram que essa escolha poderia afetar a investigação sobre a movimentação lobista de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e alvo de três inquéritos.
A decisão também alimenta a estratégia da oposição de associar Lula a Alexandre de Moraes. Flávio Bolsonaro usou essa linha em manifestação na Avenida Paulista, em 7 de setembro. “Quem votar em Lula estará votando em Alexandre de Moraes”, afirmou.
Pressão sobre o governo
Mendonça aponta que um grupo da Polícia Federal ligado a Andrei Rodrigues produziu o relatório usado por Moraes para responder às suspeitas relacionadas ao caso Master. Para o ministro, o documento criou uma cortina de fumaça em torno dessas suspeitas.
Lula agora precisa decidir se mantém o apoio ao diretor-geral da Polícia Federal e ao trabalho realizado sob seu comando ou se aceita uma eventual decisão da Corte. A medida já recebeu o apoio de Nunes Marques e Luiz Fux. Gilmar Mendes pediu vista, o que atrasa a homologação.
Por meio da Advocacia-Geral da União, o governo deve recorrer para levar o caso ao plenário do Supremo Tribunal Federal. Mendonça pode não ter maioria nessa instância ou enfrentar mais dificuldade para formar apoio.



