A Alternativa para a Alemanha (AfD) enfrenta um obstáculo político para transformar a liderança nas urnas da Saxônia-Anhalt em comando do governo estadual. Pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo (6) atribuem 44% dos votos ao partido, mas a União Democrata-Cristã (CDU) rejeita uma coalizão com a legenda.
A AfD teria 41 das 83 cadeiras do Parlamento estadual, segundo as projeções. O número a coloca perto da maioria absoluta e abre a possibilidade de Ulrich Siegmund ser eleito governador. A definição depende da apuração e da quantidade de partidos que superar a cláusula de barreira de 5%.
CDU descarta aliança formal
A colíder da AfD, Alice Weidel, afirma que o resultado representa um “mandato claro” e indica que o partido pretende conversar com outras forças políticas. A CDU, no entanto, sinaliza resistência a qualquer acordo formal. “Não trabalhamos com partidos extremistas”, diz Franziska Hoppermann, secretária-geral da legenda.
A CDU registra 18,5% dos votos. O partido é liderado nacionalmente pelo primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, e governa atualmente a Saxônia-Anhalt com Sven Schulz. A Esquerda aparece com 9,5%, os Verdes têm 9% e o Partido Social-Democrata (SPD), 8%.
Caso a AfD não consiga apoio, a CDU pode tentar formar um governo minoritário com apoios pontuais de A Esquerda. A possibilidade contraria uma resolução interna dos democratas-cristãos, embora arranjos semelhantes existam em outros estados alemães.
A participação do BWM ainda é uma incógnita. O partido já considerou formar um governo com a AfD, mas só terá representação se superar a barreira de 5%. Seu desempenho pode alterar a distribuição final das cadeiras.
Imigração e Rússia permanecem no centro
Siegmund constrói a campanha com forte presença no TikTok e referências à antiga Alemanha Oriental, mirando principalmente o eleitorado do leste do país. Durante as negociações para formar o próximo governo, ele afirma que a AfD manterá suas posições sobre imigração, segurança doméstica e reaproximação com a Rússia.
O candidato ganha projeção dentro da legenda durante a pandemia de Covid-19, ao criticar as restrições adotadas pelas autoridades alemãs. A AfD, criada por economistas em 2013 durante a crise do euro, amplia o espaço político com uma agenda de combate à imigração. O partido também passa a se opor a pautas ligadas ao ambientalismo, à transição energética e aos direitos de minorias.
Comparecimento supera marca anterior
A votação transcorre de maneira relativamente tranquila. Em Magdeburgo, capital estadual, policiais chegam a superar o número de manifestantes em alguns protestos. Uma pequena altercação entre militantes da AfD e integrantes de movimentos sociais termina após intervenção policial.
Duas horas antes do encerramento da votação, a participação supera 65%. No pleito estadual anterior, realizado em 2021, o índice no mesmo momento era de 41%.



