SÃO PAULO — Uma missão empresarial italiana com mais de 100 companhias encerrou, no Brasil, uma agenda de 10 dias voltada a oportunidades do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Os encontros ocorreram em São Paulo, Brasília, Bahia e Ceará e trataram de comércio exterior e cooperação bilateral.
O principal resultado foi o anúncio, pelo vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, de um grupo de trabalho permanente com o governo brasileiro. A estrutura terá reuniões anuais dedicadas ao comércio bilateral e dará continuidade às discussões e aos projetos iniciados durante a missão.
A delegação foi organizada pela ICE, agência italiana de promoção de exportações, e pela Confindustria, confederação de industriais. A iniciativa teve apoio da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo (Italcam) e da Embaixada da Itália em Brasília.
Os trabalhos se concentraram em cinco setores: transição energética e infraestrutura sustentável; máquinas e equipamentos industriais; área farmacêutica e dispositivos médicos; tecnologias digitais; e agroalimentar.
Em São Paulo, nos dias 9 e 10, a comitiva participou de uma sessão plenária na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com Tajani, o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e os chefes da ICE e da Confindustria, Matteo Zoppas e Emanuele Orsini. Também visitou a Enel Brasil, o Cubo Itaú, o Instituto Butantan e o Senai. Ao todo, foram 1.260 reuniões entre as empresas participantes.
Em Brasília, nos dias 10 e 11, a missão se reuniu com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Houve ainda uma mesa-redonda sobre transição energética. Na Bahia e no Ceará, as discussões abordaram energias renováveis e infraestrutura.
Para Milena Del Grosso, diretora da ICE no Brasil, a viagem confirmou a importância da economia de baixa emissão de carbono e as possibilidades de ampliar o intercâmbio tecnológico. A ICE considera o Mercosul uma alavanca para a meta italiana de 700 bilhões de euros em exportações anuais na próxima década. A agência também avalia que a meta inicial de 14 bilhões de euros em exportações italianas para o bloco está subestimada, diante dos 7,5 bilhões registrados em 2025.
Antes do Brasil, a missão passou por Buenos Aires, na Argentina.



