A disputa presidencial chega à última semana aberta e com cenários de empate técnico no segundo turno, segundo os levantamentos mais recentes. Para Medeiros, o resultado definirá entre a continuidade de um projeto democrático, justo, solidário, sustentável e soberano e o avanço da extrema-direita.
O especialista afirma que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia garantir maioria no Congresso Nacional e permitir a indicação de quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação dele, isso reduziria os freios institucionais. Medeiros também aponta riscos em um alinhamento subalternizado aos Estados Unidos, na intensificação da militarização do território e na entrega de riquezas estratégicas nacionais.
Polarização e limite eleitoral
Com base em análises realizadas pelo OPEL desde 2022, Medeiros avalia que a polarização entre Lula e Bolsonaro e a ausência de uma terceira via competitiva anteciparam a lógica do segundo turno. O crescimento de Flávio Bolsonaro, previsto ao longo da campanha, encontra um teto próximo aos 42% dos votos válidos obtidos por Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, em razão dos índices de rejeição.
Um levantamento conduzido por Medeiros e pela cientista política Mariana Castro reuniu 80 grupos focais presenciais em 13 capitais brasileiras entre abril e junho de 2026. O estudo identificou um sentimento antissistema difuso, associado a problemas como mobilidade urbana, eventos climáticos extremos, segurança pública e dificuldades econômicas.
Esse sentimento se diferencia do discurso antissistema bolsonarista, direcionado contra o STF, as universidades e a imprensa. Por atingir governantes e políticos vistos como privilegiados, porém, ele também dificulta a conversão dos resultados do governo Lula em maior popularidade.
Lula manteve a liderança e um patamar próximo de 40% dos votos válidos mesmo após episódios como a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao STF, em 29 de abril de 2026, e os acontecimentos ligados à alegada tentativa de golpe eleitoral atribuída a André Mendonça, em 4 de setembro de 2026. Medeiros afirma que políticas como o Pé-de-Meia e o Desenrola são valorizadas pela população.
Temas da semana final
A primeira pauta destacada envolve áudios e mensagens sobre a negociação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, para financiar com US$ 24 milhões a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. O caso, somado às ligações de Flávio com milícias, à oposição às vacinas, ao alinhamento com os Estados Unidos e às posições sobre o meio ambiente, teria afetado sua capacidade de sustentar o discurso anticorrupção.
Também aparecem o fim da escala 6×1 sem redução salarial, apoiado nos grupos focais, e o combate às apostas eletrônicas. A rejeição às bets é associada ao endividamento das famílias, a problemas de saúde mental e à destruição familiar provocada pelo vício.
Na reta final, a campanha concentra esforços no eleitorado feminino, nas periferias urbanas e favelas e nos indecisos, estimados entre 5% e 10% do total. As pesquisas da Quaest, divulgada em 21 de setembro, e do Datafolha, publicada em 24 de setembro, registraram crescimento de Lula.



