Pesquisas regionais divulgadas nesta semana mostram um empate no agregado nacional, mas dividem o mapa da corrida presidencial em três blocos. Lula lidera em dez unidades federativas, incluindo os nove estados do Nordeste e o Amapá. Flávio Bolsonaro aparece à frente em oito: Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Roraima. Em outros nove estados, há empate técnico dentro da margem de erro, entre eles São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Felipe Nunes, diretor do instituto Quaest, afirma que o voto dos dois candidatos repete padrões do primeiro turno de 2022. “A correlação entre a intenção de voto em cada estado e o resultado do 1º turno de 2022 é de 0,98”, disse. Sobre Flávio, ele afirmou que “o voto em Flávio repete o de Jair em 2022, com correlação de 0,95”.
Eleitores independentes concentram a disputa
Lula avançou no Maranhão (+7), na Bahia (+6), na Paraíba (+4), em Sergipe (+4) e no Amapá (+6). Flávio registrou crescimento em Rondônia (+6), Mato Grosso (+5), Pará (+4) e Bahia (+5), mas recuou no Distrito Federal (-8), em Goiás (-6), no Paraná (-3), no Rio Grande do Sul (-3) e no Espírito Santo (-3).
Os eleitores independentes representam entre 24% e 36% dos votantes nos estados. Os maiores percentuais estão no Rio de Janeiro (36%), Amazonas (35%), Tocantins (33%), Rio Grande do Sul (33%) e Goiás (33%). Para Felipe Nunes, esse grupo concentra a possibilidade de mudança no resultado.
A aprovação do governo federal é positiva no Nordeste, no Amazonas (+7) e no Pará (+4), mas negativa no Centro-Sul. Minas Gerais (-5) e Tocantins (-3) têm empate na avaliação. No Nordeste, quase 60% dizem temer o retorno da família Bolsonaro. No Norte e no Sul, até 64% afirmam temer outro mandato de Lula.
Mesmo onde há empate ou desvantagem de Lula, a expectativa de vitória favorece o presidente. Em São Paulo, 50% apostam na vitória dele, contra 35% que apontam Flávio. No Rio de Janeiro, o placar é de 49% a 37%; no Paraná, de 44% a 40%. Flávio é considerado provável vencedor pela maioria em 7 estados.
Disputas locais permanecem abertas
Entre os eleitores que já declararam voto, de 11% a 23% admitem mudar de escolha. A maior volatilidade aparece no Paraná (23%), no Amapá (21%), em São Paulo (20%), em Santa Catarina (20%), em Minas Gerais (19%) e no Distrito Federal (19%).
Nas eleições para governador, 7 estados já têm um provável vencedor no primeiro turno pelo critério de liderança isolada: Roraima, Amapá, Piauí, Paraíba, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina. Outros 14 permanecem indefinidos dentro da margem de erro.
Para o Senado, mais de 60% dos entrevistados não apontam candidato na pesquisa espontânea em 22 estados. Em São Paulo, o índice chega a 79%. “Se nem o eleitor sabe em quem vai votar, a pesquisa não tem como adivinhar”, afirmou Nunes.
O diretor da Quaest resume o cenário como um empate nacional sobre um eleitorado independente concentrado no Centro-Sul. Para ele, “a última semana vai ser decisiva”.



