O influenciador Rico Melquiades é investigado após publicar um vídeo em que questiona funcionárias sobre preferências políticas e ameaça demitir uma delas depois de associá-la ao Partido dos Trabalhadores (PT).
As imagens são publicadas nas redes sociais no sábado (12). Na gravação, Rico aparece com quatro mulheres, pergunta quem paga os salários delas e, depois, questiona suas escolhas políticas. Ao ouvir de uma funcionária que ela apoia o PT, ele afirma que ela está demitida e pede que entregue a carteira de trabalho.
Investigações
O Ministério Público Eleitoral (MPE) em Alagoas instaura um procedimento para apurar o episódio. O órgão identifica indícios de coação eleitoral e encaminha o caso à Polícia Federal para investigação criminal.
A apuração deve verificar se a conduta se enquadra no artigo 301 do Código Eleitoral. A regra prevê punição para quem usa violência ou grave ameaça com o objetivo de obrigar alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido.
O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, afirma que a relação de dependência entre empregador e empregado não pode ser usada para interferir na liberdade política dos trabalhadores. Para ele, uma eventual alegação de que o episódio ocorreu como brincadeira não elimina a necessidade de investigação.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) também abre inquérito civil para analisar a conduta sob a possibilidade de assédio moral no ambiente profissional.
Na segunda-feira (14), após a repercussão do vídeo e das investigações, Rico afirma nas redes sociais que recebe ameaças e passa a usar segurança privada para sair de casa. O influenciador diz estar com medo por causa das mensagens.
O episódio ocorre durante as eleições de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral considera ameaças de demissão, constrangimentos e pressões sobre escolhas políticas práticas combatidas nas relações de trabalho.



