O jurista Marcelo Uchôa questiona a resistência do ministro André Mendonça em compartilhar integralmente os dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em publicação no X, Uchôa afirma que a retirada de Mendonça da relatoria da investigação seria insuficiente caso o ministro continue impedindo o acesso ao conteúdo.
“Por que tanta relutância?”, escreveu Uchôa, ao defender que a própria conduta de Mendonça como juiz seja investigada.
No mesmo dia, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, determina que a Polícia Federal apresente, em 24 horas, informações sobre o celular e as condições em que o material está armazenado. A decisão responde a manifestações de Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, que pedem acesso integral aos dados antes da sessão do STF marcada para terça-feira (15).
O que diz Mendonça
O caso envolve um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal. Mendonça informa a Fachin que o aparelho original está sob custódia da PF, e não em seu gabinete, para preservar a cadeia de custódia da prova.
O ministro também afirma ter uma cópia de segurança do conteúdo em um disco rígido criptografado. Segundo ele, o material foi enviado pela PF em março de 2026, permanece intacto e está lacrado. Mendonça diz que nunca manuseou o celular e classifica a cópia como uma contraprova, destinada a situações de perda ou extravio do conteúdo original.
Ao responder a Zanin, Mendonça afirma que o aparelho sob sua responsabilidade “permanece lacrado no Gabinete e, portanto, encontra-se inacessível”. Zanin contesta a justificativa e diz que o lacre não impediria o compartilhamento da cópia com os demais ministros. O ministro também aponta que a defesa de Vorcaro já teve acesso à integralidade do material.
Moraes afirma, em documento enviado a Fachin, que não cabe ao relator escolher quais documentos ficam acessíveis ao colegiado. Gilmar Mendes também encaminha manifestação e amplia a cobrança para que os dados sejam disponibilizados antes da sessão de terça-feira (15).



