A A5X capta R$ 360 milhões em uma rodada Série D e planeja iniciar, no segundo trimestre de 2027, as negociações de sua bolsa de derivativos. A empresa pretende concorrer com a B3 e criar uma infraestrutura de negociação, liquidação e contraparte central para esse mercado no Brasil.
O aporte, anunciado nesta segunda-feira (14), é liderado por Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek, que entram como novos investidores. IMC, Jump Trading, Optiver, XTX Markets e ABN AMRO Clearing, acionistas estratégicos da companhia, também participam da rodada. A XP exerce uma opção de compra e passa a integrar a base de investidores.
Com o novo investimento, a A5X chega a uma avaliação de cerca de R$ 2,7 bilhões e acumula mais de R$ 730 milhões captados em quatro rodadas. Segundo a empresa, os recursos serão usados para colocar a bolsa em operação, alcançar o break-even, financiar o capital regulatório exigido e ampliar a estrutura.
Estrutura e plano de operação
A companhia tem mais de 200 colaboradores e pretende oferecer uma bolsa de derivativos e uma contraparte central (CCP), estrutura que fica entre compradores e vendedores para ajudar a garantir o cumprimento das obrigações das operações.
A A5X foi criada por Carlos Ferreira Filho e Karel Luketic, que foram sócios da XP; por Nilson Monteiro, fundador da corretora Ideal, cujo controle foi adquirido pelo Itaú em 2022; e por Julian Chediak, sócio do escritório Chediak Advogados.
“O Brasil ainda concentra a sua negociação e pós-negociação de derivativos em um único participante de bolsa e CCP, apesar de ser um dos maiores mercados do mundo”, afirma a empresa. Carlos Ferreira Filho, CEO e cofundador, diz que a rodada amplia a capacidade de lançamento da plataforma e de transformação do mercado de capitais brasileiro.
A operação ocorre em um mercado de derivativos hoje concentrado na B3. Em agosto de 2025, o Cade abriu processo administrativo para investigar possíveis ações anticoncorrenciais da B3 contra a CSD BR. Cerca de 15 dias depois, a B3 anunciou um acordo para fornecer e licenciar market data à A5X.
Os dados de preços do mercado à vista são necessários para contratos ligados a ações como Vale e Petrobras. A B3 declarou que o acordo busca criar um ambiente mais aberto, dinâmico e competitivo.
A CSD BR possui licenças para atuar como registradora, depositária e liquidante, mas ainda precisa de autorização para operar como contraparte central. Base e BEE4 também tentam atuar em diferentes segmentos, entre derivativos, ações e empresas de menor porte.



