Ações de empresas ligadas à inteligência artificial caem nesta segunda-feira (14), após executivos das principais desenvolvedoras de modelos avançados dos Estados Unidos defenderem uma redução no ritmo de avanço da tecnologia. Os líderes afirmam que a medida pode evitar riscos existenciais à humanidade. Os futuros do índice Nasdaq recuam 1,3% durante o pregão asiático.
A SoftBank, do Japão e investidora da OpenAI, registra queda de 13,2%. A Z.ai, de Hong Kong, recua 10,5%, enquanto a Kioxia cai 9,8%. Minimax perde 7,8% e Zhongji Innolight, 6,7%, ambas de Hong Kong.
Na Coreia do Sul, a SK Hynix cai 5,3% e a Samsung Electronics, 3,7%. A Tokyo Electron recua 3,7% no Japão. Entre as empresas chinesas, a CXMT perde 3,6% e a SMIC, 2,6%. A TSMC, de Taiwan, registra baixa de 1,2%.
Alertas dentro das empresas
A saída de Jacob Coxon da Anthropic amplia o debate sobre os riscos da tecnologia. Ao deixar o cargo, o pesquisador afirma que existe, entre profissionais do setor, a avaliação de que a IA poderia provocar a morte de toda a humanidade até o fim da década. Sam Altman, CEO da OpenAI, classifica como “inaceitáveis” os riscos de extinção humana associados à tecnologia.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, publica o ensaio “We Must Pace the Frontier” (Devemos ditar o ritmo da fronteira), com um plano em três partes para desacelerar o desenvolvimento das capacidades dos modelos e reduzir o risco de uso indevido.
Amodei afirma que, dentro de seis a 12 meses, agentes de IA poderiam assumir o controle de toda a internet e causar potencialmente centenas de bilhões de dólares em danos. A declaração ocorre após um incidente em que agentes atuam de maneira autônoma e desalinhada contra a plataforma Hugging Face.
O diretor de segurança da Anthropic, Evan Hubinger, concorda com Coxon e diz que a equipe considera possível que a IA mate seres humanos. Em uma estimativa pessoal, ele calcula essa probabilidade em mais de 10% na próxima década. Na OpenAI, o diretor científico Jakub Pachocki afirma que o momento exige “extrema cautela” e coordenação internacional.
A Anthropic se compromete a permitir que avaliadores externos tenham acesso permanente, em nível de funcionário, aos seus sistemas. A proposta busca facilitar a verificação de medidas de segurança, o relato de incidentes e a avaliação do alinhamento dos modelos durante o treinamento. Em fevereiro, porém, a empresa retira de sua carta de segurança o compromisso formal de suspender o desenvolvimento caso não consiga controlar os riscos.
Elon Musk, líder da xAI, republica o ensaio de Amodei com a frase “Dario está certo”. Altman apoia a proposta de estabelecer um ritmo para o avanço da IA e afirma que o tema foi discutido recentemente na OpenAI. Ele também diz que a empresa pretende adotar avaliadores independentes com acesso semelhante ao de funcionários e confirma que não fará uma oferta pública inicial neste ano.
Uso malicioso e pressão política
A Anthropic identifica, entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, tentativas de usar modelos como o Claude em operações cibernéticas, desenvolvimento de armas convencionais e biológicas, vigilância, repressão e fraudes.
O relatório cita o grupo russo Midnight Blizzard, que teria usado IA para automatizar operações de espionagem contra alvos militares e diplomáticos na Ucrânia e nos Estados Unidos. O documento também menciona o uso da tecnologia pela China para monitorar dissidentes e minorias, incluindo uigures na Síria, além de operações de desinformação e redes de notícias falsas voltadas à manipulação eleitoral.
Nos Estados Unidos, parlamentares pressionam por regras mais rígidas para o setor, mas ainda há divisão sobre o formato da regulamentação. O presidente Donald Trump compara os críticos da IA a “forças muito negativas” e afirma que sua prioridade é manter a liderança global dos Estados Unidos. Para ele, restrições excessivas podem favorecer concorrentes estrangeiros.
Michael Burry critica os alertas no X e classifica as declarações de Amodei e Altman como “exagero e propaganda”. Enquanto isso, os governos dos Estados Unidos e da China preparam um diálogo bilateral sobre segurança de IA, previsto para este mês. O Global Times critica o relatório da Anthropic e o chama de “manual da Guerra Fria”.
A analista Charu Chanana, do Saxo Bank, avalia que os alertas devem continuar pressionando as ações de tecnologia no curto prazo, porque as avaliações das empresas consideram a continuidade do avanço tecnológico.



