A B3 começa a divulgar nesta segunda-feira (14) o Ibovespa em dólares. A conversão usa a taxa WMR, atualizada diariamente às 16h, no horário de Londres, e permite acompanhar o principal índice da bolsa brasileira pela perspectiva da moeda norte-americana.
Para Lucas Xavier, head de renda variável e sócio da AW Capital, a mudança facilita a comparação do mercado doméstico com alternativas internacionais. A leitura em dólar, afirma, ajuda a identificar a variação efetiva dos preços dos ativos em um ambiente de mercados mais conectados e acessíveis.
Efeito sobre o investidor estrangeiro
Xavier avalia que a divulgação também torna mais simples a análise do mercado brasileiro por investidores estrangeiros. Com o índice convertido automaticamente, eles não precisam calcular ajustes cambiais para avaliar o desempenho da bolsa, o que pode ampliar o interesse e o fluxo para o mercado brasileiro.
Matheus Spiess, estrategista de ações da Empiricus Research, considera que o Ibovespa em dólar melhora a comunicação da bolsa com o investidor estrangeiro. Na avaliação dele, a medida pode funcionar como um gatilho para a bolsa brasileira nos próximos anos, em um momento em que os movimentos do índice são sensíveis ao fluxo internacional.
A B3 também informou que pretende incluir BDRs de empresas brasileiras na carteira teórica do Ibovespa no primeiro semestre de 2027. A participação poderá chegar a 10% da composição do índice.
Spiess afirma que empresas brasileiras listadas no exterior, especialmente na Nasdaq, podem ser incluídas após buscarem múltiplos maiores. As principais candidatas citadas são companhias dos setores financeiro e de tecnologia.
A aposta principal do mercado é o BDR do Nubank (ROXO34). Na sequência aparecem XP (XPBR31), PagSeguro (PAGS34), Inter (INBR32) e JBS (JBSS32). Para Spiess, essas empresas podem levar liquidez ao índice e reduzir distorções em sua composição.



