Cleusa Maria comanda uma rede de confeitaria artesanal que faturou R$ 800 milhões em 2025. A trajetória começou em uma loja de 20 m², em Salto, no interior de São Paulo, e chegou a mais de 370 unidades no país e duas no exterior.
A empresária tem 60 anos e não concluiu os estudos. Quando tinha 13 anos, após a morte do pai, deixou a escola e passou a trabalhar como boia-fria em Bandeirantes, no norte do Paraná. Cortava cana-de-açúcar das 4 da manhã até a noite e dividia um quarto com os nove irmãos.
Aos 15 anos, mudou-se para Osasco, na Grande São Paulo, para ajudar um tio. Trabalhou como empregada doméstica por três anos. Depois, aos 18 anos, conseguiu emprego em uma fábrica de alto-falantes em Salto.
Da fábrica à confeitaria
Anos mais tarde, em outra empresa do setor, Cleusa conheceu dona Rosa, esposa de seu chefe e responsável por ensinar técnicas de confeitaria. Até então, ela nunca havia visto ou provado um bolo de aniversário.
Mesmo sem experiência, assumiu a produção. Durante o dia, trabalhava como operária de fábrica; à noite, preparava bolos. Com o dinheiro da rescisão trabalhista dela e do irmão, abriu a primeira loja, chamada Sensações Doces.
“Qualidade acima de tudo. Produto excepcional”, afirma Cleusa ao explicar o diferencial do negócio. Por cinco anos, manteve apenas uma unidade. A expansão começou depois que um cliente paulistano apresentou a ideia de franchising, quando ela tinha 35 anos.
Após seis meses de insistência, decidiu franquear a marca, em 2006. Em 2009, a rede já tinha 50 lojas em São Paulo. Cleusa afirma que vendia franquias e reinvestia os recursos na própria empresa. Nesse período, manteve o carro, um Gol 1000.
A marca precisou mudar de nome quando chegou a 74 lojas franqueadas. Sensações Doces se tornou Sodiê, combinação dos nomes dos filhos da empresária, Diego e Sofia. A alteração ocorreu porque “Sensação” era uma marca registrada da Nestlé.
Cleusa pagou a troca da identidade visual de todas as unidades sem repassar os custos aos franqueados. O processo deixou a empresa no vermelho por quatro anos. O negócio continuou crescendo com a recomendação de clientes, amigos e familiares.
As lojas mantêm cozinhas próprias e não congelam os produtos. A receita continua sendo a de dona Rosa, com adaptações feitas ao longo dos anos. Apesar da expansão, Cleusa resume a própria trajetória assim: “Eu sempre fui feliz”.



