O reajuste de 15% do Bolsa Família pode aumentar as vendas de Grupo Mateus (GMAT3), Pague Menos (PGMN3) e Assaí (ASAI3), de acordo com a análise do J.P.Morgan. As empresas têm exposição relevante ao Norte e ao Nordeste, regiões onde o consumo vinha apresentando desempenho mais fraco.
O banco, porém, separa o possível efeito positivo sobre as vendas do impacto do aumento dos gastos públicos sobre os juros. Por isso, mantém classificação underweight, equivalente à venda, para Grupo Mateus e Pague Menos. Para Assaí, a recomendação é neutra.
O reajuste do benefício
O valor mínimo do Bolsa Família sobe de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio passa de R$ 675 para R$ 777. A mudança entra em vigor em outubro, com pagamentos a partir do dia 19.
O programa atendeu 19,3 milhões de famílias em agosto. O J.P.Morgan estima que o custo adicional do reajuste será de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026. Em 2027, a despesa extra projetada chega a R$ 22 bilhões, elevando o orçamento total de R$ 157 bilhões para cerca de R$ 179 bilhões.
Vendas maiores, mas pressão financeira
Na avaliação do banco, o dinheiro adicional recebido por famílias concentradas no Norte e no Nordeste pode ter efeito maior sobre o consumo nessas regiões, que dependem mais do programa. A análise também considera que a redução do valor real das transferências, na comparação anual, vinha contribuindo para a fraqueza das vendas e começou a se estabilizar.
Ao mesmo tempo, mais despesas do governo podem pressionar os juros. Esse cenário tende a afetar a bolsa e, especialmente, empresas mais endividadas. Assaí e Pague Menos são citadas como companhias que podem sentir esse efeito, enquanto se beneficiam do aumento do consumo.
Assim, o reajuste pode favorecer as vendas de curto prazo das três varejistas, mas não representa, por si só, uma recomendação de compra. Para o J.P.Morgan, a pressão sobre os juros no médio prazo pesa contra o investimento, sobretudo nas empresas mais alavancadas.



