A Inter Asset identifica oportunidades em ações brasileiras que ficaram descontadas após a migração de investidores para renda fixa e crédito, favorecidos pelos juros altos. A gestora afirma que procura empresas cujo preço de mercado esteja abaixo do valor indicado por seus fundamentos, sem depender de uma previsão sobre o próximo movimento do Ibovespa.
Daniel Castro, CEO da Inter Asset, afirma que a exposição de fundos de pensão à bolsa está em torno de 6%, um dos menores níveis dos últimos 25 anos. Rafael Maciel, gestor de renda variável, diz que esse afastamento criou distorções em parte do mercado. “Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”, afirmou.
Estratégias e empresas analisadas
A Inter Asset administra cerca de R$ 24 bilhões e pretende crescer entre 25% e 30% ao ano. Na renda variável, Maciel conduz os fundos Inter Dividendos e Inter Valor.
O Inter Dividendos reúne dez empresas com capacidade de devolver recursos aos acionistas por dividendos, juros sobre capital próprio ou recompras. O fundo completa cinco anos em fevereiro e acumulou, segundo o gestor, crescimento de patrimônio de cerca de 150% nos últimos 12 meses. A capacidade de alocação estimada pela gestora supera R$ 3 bilhões.
O Inter Valor tem 23 ações e busca companhias negociadas abaixo do valor considerado justo. Entre as posições citadas estão Petrobras (PETR4), Vibra (VBBR3) e Allos (ALOS3), presentes em uma ou nas duas estratégias.
Na Vibra, a tese considera que a menor importação de diesel pela Petrobras pode limitar a oferta e favorecer distribuidoras. Na Allos, a gestora vê uma diferença entre o valor de ativos de shopping centers e o preço atribuído à empresa na bolsa. Maciel também cita C&A (CEAB3) e Grupo Mateus (GMAT3), mas afirma que não há uma oportunidade generalizada no varejo.
A gestora diz evitar negócios que não entende ou companhias cuja administração não considera confiável. O objetivo declarado é reduzir o risco de perda permanente de capital.
Eleição e cenário fiscal
A eleição de 2026 está no radar, mas a Inter Asset não pretende transformar a carteira em uma aposta binária sobre o resultado. Para Maciel, o principal fator será o caminho fiscal adotado depois do processo eleitoral.
Castro afirma que uma piora na percepção sobre as contas públicas pode provocar reação de investidores estrangeiros, com pressão sobre câmbio e juros. Nesse cenário, a gestora tende a reforçar a defesa das carteiras e priorizar empresas consideradas mais resilientes.
Mesmo com as incertezas, Maciel avalia que o ambiente difícil pode favorecer a seleção individual de ações, porque aumenta a quantidade de ativos negociados a preços considerados baixos pela gestora.



