O Bradesco BBI reduz a recomendação da Cogna (COGN3) de compra para neutra e corta o preço-alvo da ação de R$ 3,80 para R$ 3,10 no fim de 2027. Mesmo com a nova projeção, o banco ainda calcula potencial de valorização de 35% em relação ao fechamento anterior.
A estimativa, porém, fica abaixo do retorno total projetado para as empresas preferidas pelo banco, de 60%. Nesta quinta-feira (24), os papéis da Cogna aparecem entre as maiores baixas do Ibovespa, com queda superior a 4%.
O Bradesco BBI também reduz em 18% a projeção para o lucro líquido da companhia em 2027. A nova estimativa fica 13% abaixo do consenso do mercado.
Motivos para a mudança
A revisão considera três pontos principais. O banco avalia que a Cogna perdeu atratividade relativa diante de outras empresas do setor, com uma relação menos favorável entre retorno esperado e riscos.
O BBI também identifica enfraquecimento na operação. A expectativa é de uma captação mais fraca de alunos e de pressão sobre as receitas e as margens da Kroton no segundo semestre.
Outro fator é o novo marco regulatório do ensino superior. As regras ampliam a participação de atividades presenciais e podem elevar os custos da Cogna com a estrutura das unidades, pressionando as margens caso o aumento não seja repassado às mensalidades.
Yduqs assume a preferência
A Yduqs passa a ser a principal aposta do Bradesco BBI no setor de educação. O banco estima retorno total potencial de aproximadamente 61% e rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista próximo de 15% em 2027. O indicador pode avançar em 2028, diante da esperada queda dos juros.
A fusão com a Afya inclui o anúncio de R$ 750 milhões em dividendos até a conclusão da operação em 2028. A companhia combinada pretende distribuir 50% do lucro aos acionistas e gerar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em sinergias.
Após a operação, cerca de dois terços do Ebitda da nova empresa devem vir de negócios considerados mais rentáveis e resilientes, especialmente os cursos de medicina.
Apesar da mudança na avaliação da Cogna, o Bradesco BBI mantém uma visão positiva para o setor de educação, citando valuations atrativos e potencial de retorno total. Cruzeiro do Sul (CSED3) e Vitru (VTRU3) aparecem como segunda e terceira favoritas, respectivamente, seguidas por Ânima (ANIM3).
Sob supervisão de Carolina Gama.



