LONDRES — O calor extremo e a seca aumentam o risco de afundamento de imóveis em Londres e em outras cidades do sudeste da Inglaterra. O fenômeno ocorre quando o solo argiloso perde umidade, encolhe de maneira desigual sob as fundações e provoca rachaduras, portas emperradas e janelas deformadas.
O terreno da região absorve água e se expande quando está úmido. Em períodos secos, ocorre o chamado efeito de “encolhimento-expansão”, que pode deslocar o solo e puxar as construções para baixo. As árvores também contribuem para o ressecamento: durante o calor, suas raízes buscam água e retiram umidade do terreno.
Londres é especialmente vulnerável por registrar algumas das maiores temperaturas do país e por ter sido construída sobre tipos de argila com minerais sensíveis às variações de umidade. Imóveis antigos estão entre os mais expostos. Mais da metade das casas da cidade foi construída antes de 1945.
Dados obtidos com a seguradora britânica Aviva indicam que, em muitas áreas de Londres, 100% dos imóveis podem enfrentar risco possível ou provável de subsidência até 2030. A possibilidade inclui regiões centrais como Kensington, City of London e Westminster.
Pressão sobre seguros e imóveis
Bob Gibson, especialista em subsidência e diretor da consultoria Building & Structural Consultants, afirma que o problema, antes concentrado no sudeste da Inglaterra, passou a atingir outras partes do Reino Unido com as mudanças climáticas. “Mas, com as mudanças climáticas, ele agora afeta muitas outras partes do Reino Unido”.
Segundo a Associação das Seguradoras Britânicas (ABI), o setor de seguros pagou US$ 415 milhões em indenizações relacionadas à subsidência no verão passado. O valor representa alta de 10% em relação a 2024.
No segundo trimestre de 2026, as seguradoras pagaram mais de US$ 97 milhões por esse tipo de problema no Reino Unido. O valor médio das reivindicações chegou a US$ 27 mil, mais de US$ 2.700 acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
Em Londres, mais de 26% dos imóveis podem ser afetados até 2070 se o aquecimento global continuar no ritmo atual, segundo dados do BGS.



