A curva de juros futuros encerrou o dia com redução dos prêmios em todos os vencimentos, após uma abertura de maior estresse provocada pelo anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família. A medida elevou as preocupações do mercado com a situação fiscal, mas a pressão perdeu força ao longo da tarde.
A melhora também refletiu o ambiente externo, com queda do petróleo e dos retornos dos Treasuries. O efeito do leilão robusto de títulos prefixados do Tesouro Nacional sobre a curva de juros foi sendo dissipado.
A taxa do DI para janeiro de 2027 terminou em 13,555%, ante 13,588% no fechamento anterior, recuo de 3 pontos-base. O contrato para janeiro de 2029 encerrou em 13,82%, contra 13,903%, enquanto o DI para janeiro de 2031 fechou em 14,04%, ante 14,116% da última quarta-feira (16).
Pressão antes do leilão
O reajuste elevou o piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691. O governo federal informou a medida pouco depois das 10h30, quando o mercado já sabia que o Tesouro Nacional ofertaria 15 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 9 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F).
Parte dos agentes assumiu posições de alta dos juros para se proteger de um eventual prêmio maior no leilão. Com a emissão absorvida, essas posições foram desfeitas, ajudando a aliviar as taxas. Eduardo Cohn, gestor de portfólio da Heritage Capital, explicou que os agentes que fazem esse tipo de proteção precisam desmontá-la quando a maior parte da emissão é comprada.
O decreto entra em vigor em outubro. O Ministério da Fazenda calcula impacto de R$ 22,7 bilhões por ano nas contas públicas em 2027 e 2028. Para 2026, a estimativa é de R$ 5,8 bilhões.
Otávio Aidar, gestor de portfólio da Ujay Capital, afirmou que é difícil separar a influência do leilão e do Bolsa Família na pressão sobre os DIs até o começo da tarde. Para ele, o alívio posterior pode ter ocorrido porque agentes aproveitaram as taxas maiores para aumentar posições aplicadas.
Aidar também disse que o comunicado do Comitê de Política Monetária de quarta-feira, considerado neutro, não fechou a possibilidade de continuidade dos cortes na próxima reunião. A Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, como já era esperado.
Treasuries e petróleo
Nos Estados Unidos, o yield do Treasury de dois anos operava em 4,67%, ante 4,69% no ajuste anterior, por volta de 18h05, no horário de Brasília. O retorno do título de 10 anos recuava para 4,939%, contra 4,947% da última quarta-feira.
Os rendimentos caíram apesar da alta de 0,25 ponto dos juros promovida pelo Federal Reserve e da expectativa de novo aperto em 2026. A redução dos temores sobre um choque mais severo de energia acompanhou o movimento.
O petróleo Brent para novembro fechou em US$ 104,82, com queda de 0,95%, apoiado por sinais de avanços diplomáticos no Oriente Médio.



