O dólar à vista encerra esta quinta-feira (17) a R$ 5,1393, com queda de 0,23%. A sessão é marcada por volatilidade, com investidores avaliando o cenário fiscal brasileiro e as apostas sobre a trajetória dos juros no Brasil e nos Estados Unidos.
A moeda acompanha o comportamento externo. Por volta de 17h, no horário de Brasília, o DXY — índice que compara o dólar com uma cesta de seis moedas, entre elas euro e libra — recua 0,05%, aos 100.204 pontos.
Reajuste do Bolsa Família
O governo anuncia, a 17 dias do 1º turno das eleições, reajuste de 15% no Bolsa Família. O piso do programa sobe de R$ 600 para R$ 691 por família, enquanto a média dos benefícios deve passar de R$ 691 para R$ 777.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informa que a medida terá custo de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. Ele também afirma que a despesa não estava prevista no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) do próximo ano, encaminhado ao Congresso em agosto.
Para Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial, o reajuste aumenta a pressão fiscal por elevar as despesas neste ano e no próximo. “A medida não estava no radar do mercado e é vista como um fator adicional de pressão fiscal”, afirma.
A avaliação dos agentes financeiros é que o aumento pode favorecer uma possível reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse cenário, um 4º mandato do petista é associado à continuidade de uma política econômica menos favorável ao ajuste fiscal.
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada antes do anúncio mostra Flávio Bolsonaro com 47,2% e Lula com 46,8% das intenções de voto em um segundo turno. A PoderData/Aya registra 46% para Flávio Bolsonaro e 44% para Lula.
Apesar da pressão doméstica, o dólar perde força diante do alívio nos preços do petróleo e na curva de juros dos Estados Unidos. Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, afirma que a moeda devolve ganhos contra pares globais, em movimento favorável ao real.



