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Empresas de tecnologia veem risco de sobreposição na regulação das plataformas

Portaria do Ministério da Justiça reacende preocupação com a divisão de atribuições entre ANPD, Polícia Federal e outros órgãos.

Empresas de tecnologia veem risco de sobreposição na regulação das plataformas
Foto: Waldemar Gonçalves, diretor-presidente da ANPD (Divulgação/.)

Empresas de tecnologia e integrantes do ecossistema digital demonstram preocupação com uma possível perda de espaço da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) na regulação das big techs. O receio cresce mesmo depois de a agência receber novas competências para fiscalizar e regular as plataformas.

O alerta aumenta com uma portaria em preparação pelo Ministério da Justiça. A proposta prevê que plataformas digitais comuniquem à Polícia Federal, em até doze horas, situações consideradas de risco crível, iminente ou em curso à vida ou à integridade de crianças e adolescentes. Nos casos com indícios de violência sexual, o prazo previsto é de até 72 horas.

O texto foi encaminhado à ANPD e à Polícia Federal após consultas a empresas como Google, Meta e TikTok. Para representantes do setor, a iniciativa indica que diferentes áreas do governo avançam ao mesmo tempo sobre a regulação das plataformas.

A preocupação envolve uma possível sobreposição de regras e a divisão de decisões entre a ANPD, o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União. As empresas temem perder previsibilidade sobre as exigências que devem cumprir.

Poderes da ANPD

O Decreto 12.975, de maio, ampliou formalmente as atribuições da agência, incluindo regulação, fiscalização e apuração de infrações relacionadas aos direitos dos usuários e aos deveres das plataformas. A ANPD afirma que deve avaliar de forma sistêmica a atuação das empresas de tecnologia e fiscalizar obrigações de prevenção e mitigação de riscos.

O caso do Discord também alimenta a discussão. Em agosto, a ANPD determinou preventivamente a suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil após identificar falhas na proteção de crianças e adolescentes. Dias depois, a Advocacia-Geral da União acionou a Justiça contra a empresa, com suporte técnico do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, e pediu indenização de 500 milhões de reais por danos morais coletivos.

Representantes da indústria avaliam que a ANPD desenvolveu uma relação de diálogo com as empresas e uma atuação mais técnica. Para eles, a participação crescente de outros órgãos aumenta a pressão política sobre a agência e pode limitar o exercício de suas atribuições.

A discussão, segundo essas avaliações, não é sobre reduzir a fiscalização, mas esclarecer qual órgão coordena esse trabalho. O temor é que o fortalecimento formal da ANPD ocorra paralelamente à pulverização do poder regulatório dentro do governo.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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