O avanço de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas presidenciais enquanto o caso envolvendo Daniel Vorcaro ganha dimensão política é apontado pelo jornalista Bernardo Mello Franco como um paradoxo da disputa pelo Palácio do Planalto.
Entre os 12 concorrentes citados pelo colunista, Flávio seria o único apontado como beneficiário direto de recursos de Vorcaro. O senador aparece em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas simulações de segundo turno mencionadas na análise.
Flávio é alvo de investigação da Polícia Federal sobre suspeitas relacionadas a corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A apuração envolve valores destinados ao projeto Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
Relação com Vorcaro e projeto Dark Horse
Mello Franco afirma que Flávio foi “flagrado pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro”, a quem tratava como “irmão”. Ao ser questionado inicialmente sobre o episódio, o senador respondeu: “É mentira! De onde você tirou isso?”.
Depois que as tratativas vieram a público, Flávio admitiu ter pedido recursos, mas disse que buscava patrocínio para a produção cinematográfica. Ele também apresentou o projeto como uma “obra-prima”, mas não divulgou a prestação de contas que havia prometido sobre os valores envolvidos.
A investigação da Polícia Federal busca esclarecer as circunstâncias das operações ligadas ao projeto e eventuais irregularidades. As avaliações sobre a produção cinematográfica são atribuídas ao colunista.
Crise no STF muda o foco do debate
Na interpretação de Mello Franco, a recuperação de Flávio nas pesquisas ocorre porque a crise no Supremo Tribunal Federal passou a ocupar o centro do caso. O colunista afirma que o senador se beneficia do desgaste da Corte e de um discurso contrário às instituições e ao sistema político.
Mello Franco compara o cenário à eleição de 2018, quando Jair Bolsonaro chegou à Presidência em meio aos efeitos políticos da Operação Lava Jato e à rejeição de parte do eleitorado ao sistema partidário tradicional.
O jornalista também destaca a posição de Alexandre de Moraes na crise do STF. Moraes foi indicado ao Supremo pelo então presidente Michel Temer e depois se tornou alvo do bolsonarismo por sua atuação em processos que atingiram Jair Bolsonaro e aliados.
Críticas a André Mendonça
O artigo critica ainda a atuação do ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao caso no STF e ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro.
Mello Franco sustenta que Mendonça demorou quase dois meses para tornar pública a informação de que Flávio era investigado pela Polícia Federal. O colunista também afirma que o ministro protegeu três integrantes do Supremo citados no celular de Vorcaro enquanto expôs Moraes.
Para Mello Franco, o caso deixou de se concentrar apenas nas relações entre políticos, empresários e Vorcaro. Ao atingir o STF, passou a alimentar uma crise institucional que permite a Flávio explorar o desgaste da Corte, enquanto as suspeitas sobre sua própria relação com o banqueiro perdem espaço no debate eleitoral.



