A crise interna no Supremo Tribunal Federal deve continuar aberta até o encerramento das eleições de 2026, na avaliação de quatro ministros da Corte. Eles consideram que a sequência de acusações, manifestações públicas e revelações envolvendo integrantes do tribunal reduziu as condições para uma trégua no curto prazo.
Os grupos associados a Alexandre de Moraes e André Mendonça não demonstram disposição para encerrar o confronto. A proximidade das eleições também aumenta a pressão, porque a crise passou a fazer parte do discurso de candidatos, principalmente entre nomes ligados ao bolsonarismo.
O caso se ampliou com informações sobre familiares de ministros e sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. Mensagens divulgadas entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, mostram que o ex-banqueiro teria pedido ajuda para destravar uma ação relacionada a pagamentos bilionários no setor sucroalcooleiro. Rodrigo Fux não teria atendido ao pedido.
Também surgiram informações envolvendo um filho do ministro Kassio Nunes Marques e pagamentos ligados ao Banco Master. Dados da Polícia Federal teriam apontado Nunes Marques como beneficiário do uso de uma mansão alugada por Vorcaro durante o Carnaval de 2025.
Gilmar Mendes também aparece em relatos sobre o ex-banqueiro. Ele teria se encontrado com Vorcaro em 2024, quando o então banqueiro buscava apoio em uma discussão judicial sobre créditos do setor sucroalcooleiro.
A inclusão de outros integrantes da Corte ampliou o alcance do conflito, antes concentrado principalmente no embate entre Moraes e Mendonça. Propostas de impeachment de ministros do STF, com destaque para Moraes, voltaram a aparecer entre candidaturas ao Senado. Flávio Bolsonaro passou a explorar politicamente as mensagens atribuídas a Vorcaro e a associar Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente do STF, Edson Fachin, cancelou sessões para evitar nova escalada pública. Na quinta-feira (17), dois dias depois de uma sessão marcada por acusações e ofensas, ele cancelou uma reunião do plenário. Fachin também cancelou a sessão extraordinária prevista para quarta-feira (23), que trataria de acusações contra Mendonça apresentadas por Moraes com base em relatórios da Polícia Federal.
Questionamentos sobre a atuação de Mendonça em investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS chegaram à Presidência do Supremo e a outros integrantes da Corte. Para os ministros ouvidos reservadamente, o uso eleitoral da disputa e a circulação de novas informações sobre Vorcaro dificultam uma solução antes do fim das eleições.



