Dois novos tênis da Gucci levam a etiqueta “Made in China”, em uma exceção à tradição de fabricação italiana da marca. Os modelos aparecem na Semana de Moda de Milão nesta sexta-feira (25) e chegam ao mercado enquanto a grife busca recuperar vendas.
Batizado de Drip, um dos calçados marca a estreia de Demna Gvasalia no desenvolvimento de tênis para a Gucci desde que assumiu a direção criativa, em 2025. O modelo chega às lojas em agosto, dentro da coleção Primavera, com preço de 800 euros na Europa e US$ 1.050 nos Estados Unidos.
O desenho se distancia dos tênis tradicionais de couro e com cadarços da marca. O Drip tem formato semelhante ao de uma meia, não usa cadarços e combina materiais como nylon, lona ou camurça. Um segundo modelo slip-on de couro, da mesma coleção, também é fabricado na China.
Justificativa da Gucci
A Gucci afirma que a decisão não representa uma mudança ampla na estratégia de produção. Em comunicado, a empresa declara que a Itália continuará “no centro” de seu modelo de fabricação e de sua identidade.
A grife diz ter escolhido o fabricante chinês pelo conhecimento técnico e pelas capacidades consideradas adequadas para atingir os padrões de desempenho e qualidade desejados para os modelos. A empresa também afirma que não há planos de transferir a produção para fora da Itália de forma mais abrangente.
A procedência, porém, integra o valor percebido por consumidores do mercado de luxo. A fabricação na China não indica, por si só, baixa qualidade: o país concentra uma indústria de calçados de grande escala e fornecedores que trabalham para marcas premium. No caso da Gucci, a discussão envolve o significado associado à origem italiana dos produtos.
Pressão sobre a marca
As vendas da Gucci caíram pela metade nos últimos três anos, comprimindo as margens e levando o grupo Kering, controlador da grife, a fechar lojas. Demna precisa desenvolver produtos capazes de renovar a imagem da marca e gerar desejo, mantendo atenção aos custos.
A Gucci também depende dos chamados consumidores aspiracionais, que compram produtos de grife, mas são mais sensíveis a preço. O Drip custa US$ 1.000 e fica abaixo do valor de diversos outros calçados da marca, embora ainda esteja distante do mercado de massa.
A LVMH, dona de marcas como Dior e Louis Vuitton, também enfrenta sua maior crise desde 2023. Só este ano, as ações do grupo caíram cerca de 37%.



