A inteligência artificial começa a assumir funções de personal shopper no comércio eletrônico. Assistentes digitais interpretam intenções, filtram informações em tempo real e orientam o consumidor desde a busca até a conclusão da compra, em uma mudança do modelo tradicional de vitrines digitais e pesquisa manual.
Um estudo global da Softtek aponta que o tráfego enviado por assistentes de IA a sites de varejo cresceu 4.700% em apenas um ano. Esses usuários passam 32% mais tempo nas páginas, consomem 10% mais conteúdo e apresentam uma taxa de rejeição 27% menor que a do tráfego tradicional.
A McKinsey estima que o comércio mediado por agentes de IA movimente entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030. No Brasil, 46,5% dos compradores já usam ferramentas de inteligência artificial em alguma etapa da compra, de acordo com o levantamento “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, da Optimiza Marketing.
Dados passam a definir a visibilidade
A expansão desse modelo altera a lógica de visibilidade das marcas. As estratégias de SEO, voltadas à presença nos mecanismos de busca, dividem espaço com o GEO (Generative Engine Optimization) e o ACO (Agentic Commerce Optimization), que priorizam contexto, intenção e utilidade das informações.
Para ser recomendado por um agente, o produto precisa apresentar dados estruturados sobre preço, estoque em tempo real, especificações técnicas, políticas de devolução e reputação comercial. Essas informações permitem que a IA leia, compare e valide opções rapidamente.
Conversas aproximam cliente e varejo
O varejo conversacional é uma das aplicações desse modelo. No WhatsApp, a Lu do Magalu já opera como assistente de compras. Segundo dados divulgados pelo CEO da companhia, Fred Trajano, a ferramenta gerou mais de 9 milhões de conversas e ultrapassou R$ 100 milhões em vendas em questão de meses.
Nesse formato, o consumidor faz perguntas em linguagem natural, recebe recomendações no próprio chat e pode concluir o pagamento sem mudar de plataforma. A taxa de conversão chega a ser três vezes superior à do aplicativo tradicional da varejista.
A confiança, porém, limita a autonomia dos agentes. Mais de 70% dos consumidores se mostram dispostos a delegar aos robôs a pesquisa e a descoberta de produtos, mas a adesão diminui quando a tecnologia se aproxima da transação financeira. Privacidade, segurança de dados e precisão do pagamento mantêm a decisão final nas mãos do usuário.
A autonomia completa, com a IA pesquisando, escolhendo e pagando sozinha, tende a avançar em etapas. Nesse cenário, o varejo disputa não apenas o clique no site, mas também a escolha dos algoritmos que definem quais marcas serão apresentadas aos consumidores.



