As ações do Magazine Luiza (MGLU3) lideraram os ganhos entre os papéis do Ibovespa na semana, com alta de mais de 15%. O movimento ocorreu depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou a medida que proibia a varejista de comercializar, distribuir e fazer propaganda de medicamentos.
A S&P National Ratings também reafirmou a nota de crédito ‘brAA-’ do Magazine Luiza, com perspectiva estável e expectativa de melhora operacional na companhia.
Na direção oposta, a Natura (NATU3) ficou na ponta negativa do índice, sob forte pressão vendedora. As farmacêuticas também registraram perdas em bloco. A RD Saúde (RADL3) acumulou mais de 10% de queda após o Mercado Livre (MELI34) anunciar a expansão no mercado de venda de medicamentos.
Para a equipe de analistas da Ativa Investimentos, a entrada do Mercado Livre aumenta a competição para grandes redes como RD Saúde, Pague Menos, Panvel e DSPS. “Esse movimento é negativo, pois pressiona a competição com um player bem posicionado e reconhecido no mercado de varejo”, avaliou a equipe.
Bolsa e câmbio
O Ibovespa terminou a semana aos 183.476,86 pontos, com queda acumulada de 0,95%. Foi a segunda semana consecutiva de perdas para o principal índice da B3. O dólar à vista encerrou o período em R$ 5,1817, após valorização de 0,73%.
A proximidade das eleições reduziu o apetite dos investidores locais. No exterior, as incertezas geopolíticas e a pressão da curva de juros norte-americana também afetaram os mercados.
Juros no Brasil e nos Estados Unidos
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na terça-feira (22), manteve a política monetária no centro das atenções. O documento indicou que a Selic elevada desacelera a economia brasileira, mas sinalizou que uma flexibilização mais rápida é improvável. A inflação, as expectativas desancoradas e os riscos no cenário macroeconômico continuam pesando na avaliação.
Na semana anterior, o Copom havia reduzido a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na quinta queda consecutiva dos juros. A decisão foi unânime e estava alinhada às expectativas do mercado.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries renovaram máximas históricas. O PMI subiu para 58,4 neste mês, ante 56,0 em agosto, no maior nível desde julho de 2021. A leitura acima de 50 foi interpretada como sinal de pressão inflacionária.
O diretor do Federal Reserve, Michael Barr, afirmou que novos aumentos de juros serão necessários. O mercado passou a estimar cerca de 70% de chance de alta de 25 pontos-base na próxima decisão, em outubro.


