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Relatório vê reação democrática no Brasil apesar da onda global de descrédito eleitoral

Instituto aponta melhora do Brasil em direitos e Estado de Direito, mas alerta para riscos ligados ao avanço de movimentos autoritários.

Relatório vê reação democrática no Brasil apesar da onda global de descrédito eleitoral

O Brasil melhora nos indicadores democráticos do Instituto Internacional pela Democracia e Auxílio Eleitoral (Idea), enquanto o organismo relaciona o avanço mundial do negacionismo eleitoral à atuação de Donald Trump. O país sobe 12 posições na categoria “direitos” entre 2025 e 2026 e aparece à frente de Argentina, Colômbia, Índia e Hungria no Estado de Direito.

A avaliação consta de relatório da organização intergovernamental sediada na Suécia, que monitora a situação da democracia em diferentes países. Para o secretário-geral do Idea, Kevin Casas-Zamora, a recuperação brasileira ocorre após uma queda abrupta durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), período que, segundo ele, foi marcado por ataques à liberdade de imprensa, ao sistema eleitoral e à independência do Poder Judiciário.

Casas-Zamora afirma que o Supremo Tribunal Federal teve papel decisivo na proteção da democracia brasileira ao preservar a integridade das urnas. Na avaliação dele, o país mostrou que acusações sem fundamento contra instituições podem gerar custos políticos para quem as faz.

Influência internacional

O relatório estabelece uma relação entre a invasão do Capitólio, em Washington, por apoiadores de Trump e o ataque às instituições brasileiras de 8 de janeiro de 2023. O episódio norte-americano ocorreu dois anos antes, durante a tentativa de reverter a vitória eleitoral de Joe Biden. Para o secretário-geral do Idea, Trump é o “paciente zero” da contestação sem provas aos resultados eleitorais, fenômeno que afeta democracias ocidentais há pelo menos cinco anos.

Casas-Zamora também aponta uma atuação mais explícita dos Estados Unidos na América Latina. Entre os exemplos citados estão o apoio a candidaturas de extrema direita, como a de Flávio Bolsonaro, a promessa de ajuda financeira ao governo de Javier Milei durante um período eleitoral e incursões na Colômbia e em Honduras. A pressão, segundo ele, também alcança processos judiciais brasileiros, incluindo pedidos de sanções americanas contra ministros do STF após a condenação de Jair Bolsonaro.

O secretário-geral diz que, sem evidências de alteração direta no comportamento dos eleitores, deve prevalecer a presunção de transparência e legitimidade das eleições brasileiras. Ele também afirma que a chegada da extrema direita ao poder representa risco quando o grupo passa a atacar mecanismos institucionais de controle. Se um eventual governo de Flávio Bolsonaro repetir a conduta do pai, avalia, há motivos para temer retrocessos democráticos.

Ao comentar os Estados Unidos, Casas-Zamora cita Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, autores de “Como as Democracias Morrem”. A estabilidade, segundo a tese mencionada, depende da autocontenção dos políticos e do respeito a regras não escritas. O secretário-geral afirma ainda que a independência judicial, especialmente por meio de juízes de primeira instância, é o principal fator de resistência às investidas de Trump.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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