A força da direita nas urnas neste domingo (4) aumenta a expectativa de reação positiva dos ativos brasileiros no primeiro pregão após o primeiro turno, nesta segunda-feira (5). Especialistas projetam alta do Ibovespa, valorização do real e queda dos juros diante da possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e de um Congresso mais favorável à aprovação de reformas econômicas a partir de 2027.
Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, avalia que, diante do resultado das urnas, seria muito difícil Lula vencer o segundo turno. Para ele, os investidores podem antecipar uma vitória de Flávio e provocar uma alta forte da bolsa, além de queda dos juros nominais e reais.
“A reação será guiada pela expectativa de maior disciplina fiscal no próximo governo”, afirma Balassiano.
Walter Maciel, CEO da AZ Quest, estima uma alta de 10% do Ibovespa depois do primeiro turno. Na noite de domingo, o EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, avançava mais de 7%. O ETF é acompanhado por investidores como indicador do humor externo em relação aos ativos brasileiros enquanto a B3 está fechada.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirma que o Ibovespa pode superar 200 mil pontos. Ele prevê reação especialmente favorável para ações de estatais, como Banco do Brasil (BBSA3) e Petrobras (PETR4).
Mendes também projeta a taxa DI com vencimento em janeiro de 2031 perto de 13,5% na abertura de segunda-feira. Segundo ele, a força de deputados e senadores alinhados à direita amplia a confiança em reformas voltadas ao ajuste das contas públicas. No câmbio, a expectativa é de valorização do real no curto prazo, embora fatores externos possam provocar oscilações.
Impacto político nas projeções
Elisa Machado, sócia e economista-chefe da KAT Investimentos, afirma que o desempenho da direita nos estados e no Legislativo é central para a leitura do mercado. Na avaliação dela, a direita lidera majoritariamente nos estados, enquanto o novo Senado é descrito como majoritariamente de centro-direita.
Essa composição pode influenciar a governabilidade, a articulação política e a aprovação de uma agenda econômica e fiscal a partir de 2027. “O ponto central não é o nome do candidato, e sim a probabilidade de uma mudança na trajetória fiscal”, diz Machado.
A economista afirma que o aumento dessa probabilidade tende a reduzir o prêmio de risco embutido nos juros longos, favorecendo o real e os ativos domésticos.
As projeções ainda dependem do segundo turno. Machado alerta que parte da melhora dos ativos pode ser devolvida se a disputa ficar mais apertada nas pesquisas. A reação de segunda-feira será o primeiro teste sobre quanto do resultado eleitoral já está incorporado aos preços.



