O Nubank (NU) pode desembolsar entre 8 bilhões e 10 bilhões de libras esterlinas para comprar a fintech inglesa Monzo. O valor equivale a aproximadamente 16% a 20% da atual capitalização de mercado do Nubank e pode ser pago com dinheiro e ações da Nu Holdings.
A possibilidade pressiona os papéis da companhia na Bolsa de Nova York. A ação chegou a cair 9% mais cedo e, por volta das 12h50, recuava 8,79%, a US$ 12,40.
As negociações estariam em estágio relativamente inicial. A Monzo já contratou bancos de investimento do Morgan Stanley e da Qatalyst para assessorá-la. Procurado nesta segunda-feira, o Nubank informou que não comenta rumores nem especulações. Em comunicado, o banco afirmou: “Reafirmamos nosso compromisso em manter uma comunicação transparente, clara e ágil sobre qualquer assunto relevante para os nossos negócios”.
O que a Monzo oferece
A Monzo tem 15,2 milhões de clientes e 10,4 milhões de usuários ativos mensais. No Reino Unido, 9% dos usuários ativos mensais de varejo consideravam a fintech seu banco principal.
Para o Safra, a empresa poderia dar ao Nubank escala imediata no Reino Unido, uma plataforma bancária consolidada, uma marca confiável, serviços bancários para empresas e presença regulamentada pela UE na Irlanda. A receita da Monzo no ano fiscal de 2026 cresceu 39% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro bruto avançou 35%. Os depósitos aumentaram 55%, para £ 25,7 bilhões.
O Safra avalia que a Monzo acrescentaria capacidade de distribuição, depósitos de clientes, licenças e marca. O Nubank, por sua vez, poderia contribuir com análise de crédito, vendas cruzadas, recursos de dados e disciplina operacional.
O JPMorgan também aponta como ativos da fintech a escala operacional, a base de depósitos, o reconhecimento de marca e a presença em um mercado com poucas oportunidades de aquisição. Para a instituição, a compra poderia acelerar a expansão internacional do Nubank, especialmente no Reino Unido.
Analistas do UBS BB consideram que uma eventual transação estaria alinhada à estratégia global do Nubank e abriria uma porta de entrada para o Reino Unido e, de forma mais ampla, para a Europa. Eles também relacionam o movimento à expansão internacional de fintechs como o Revolut.
Preço e riscos
A avaliação da Monzo é o principal ponto de preocupação para o Safra. Pelos cálculos dos analistas, o preço representaria de 6,2x a 7,8x o valor patrimonial do ano fiscal de 2026. Em relação ao lucro bruto estimado para 2027, o intervalo seria de 6,6x a 8,3x, considerando crescimento de aproximadamente 20% em relação ao ano anterior. O Nubank é negociado atualmente a 6,0x.
O Safra afirma que o Nubank tem capital excedente, mas avalia que os múltiplos antecipariam lucros futuros para os acionistas. A eventual compra também se somaria aos gastos com a expansão nos Estados Unidos, enquanto o Brasil enfrenta um ciclo de crédito em deterioração e possíveis medidas macroprudenciais para conter o endividamento das famílias.
Os analistas também defendem maior rentabilidade no México e indicadores-chave de desempenho tangíveis nos EUA antes de uma nova expansão continental. O UBS BB destaca que o modelo da Monzo tem menor foco em crédito e maior orientação para serviços de carteira digital. O risco de execução seria relevante, especialmente diante dos esforços do Nubank para ampliar a operação nos Estados Unidos, lançada recentemente.
O JPMorgan questiona ainda o momento da operação e o valuation da fintech. A avaliação é que o Nubank, negociado perto de mínimas históricas em múltiplos, poderia deixar um modelo baseado em crescimento orgânico para depender mais de aquisições. Os analistas veem risco de distração operacional e desafios de integração nas prioridades do banco no México, nos Estados Unidos e na Colômbia.



