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Economia

Payroll fraco reduz pressão por alta dos juros nos Estados Unidos

Desemprego sobe para 4,2%, e mercado vê menor chance de alta do Fed em outubro, mas inflação mantém incertezas.

Payroll fraco reduz pressão por alta dos juros nos Estados Unidos
Foto: justin-cron- Unsplash/Divulgação

O mercado de trabalho dos Estados Unidos perdeu força em setembro, reduzindo a possibilidade de uma nova alta dos juros pelo Federal Reserve em outubro. Foram criadas 29 mil vagas fora do setor agrícola, abaixo das 90 mil esperadas, enquanto a taxa de desemprego passou de 4,1% para 4,2%. Os salários também avançaram menos do que o previsto.

Os dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics nesta sexta-feira, 2, vieram acompanhados de revisões negativas. O resultado de julho passou de 21 mil vagas abertas para 10 mil postos fechados. Em agosto, a criação de empregos foi revisada de 162 mil para 133 mil. Com as mudanças, os dois meses registraram 60 mil vagas a menos do que havia sido informado.

A probabilidade de o Fed manter os juros na reunião de outubro subiu de 75,6% para 86,2%, conforme a ferramenta FedWatch, do CME Group. A chance de uma nova alta caiu para 13,8%.

Inflação ainda limita o Fed

O banco central americano elevou os juros para a faixa de 3,75% a 4% ao ano em setembro. O payroll mais fraco reduz a urgência de outro aumento, mas a inflação permanece acima da meta de 2%.

Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, afirma que a desaceleração das contratações não caracteriza uma crise no mercado de trabalho. A renda continua sustentando o consumo, mas pode dificultar a queda dos preços dos serviços. Na avaliação dele, uma alta em outubro ficou menos provável, enquanto um novo aumento em dezembro ainda é possível.

Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital em Nova York, também espera manutenção dos juros neste mês. Ele relaciona o cenário ao payroll mais fraco e à desaceleração recente do núcleo do PCE. Para Flores, o próximo CPI será decisivo para a discussão sobre uma nova alta.

Dólar e títulos recuam

Após a divulgação dos dados, o índice DXY caiu de 102,07 para 101,85 pontos. O rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos recuou de 5,22% para 5,17%.

A queda dos juros longos e do dólar favoreceu ativos de risco, como ações, e pode direcionar parte do capital para mercados emergentes. O movimento também depende da inflação e do cenário geopolítico. O petróleo mais barato ajudou o apetite por risco, mas esse efeito pode ser revertido se o conflito no Oriente Médio pressionar novamente as cotações.

Reflexos políticos

O enfraquecimento do emprego também aumenta a pressão sobre o governo americano antes das eleições de meio de mandato, que definirão a composição do Congresso e servirão como avaliação da gestão do presidente Donald Trump.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirma que o aumento do desemprego e a criação mais fraca de vagas ocorrem em um momento próximo do pleito. Ele também cita as consequências econômicas e políticas do conflito no Irã.

O resultado de setembro, isoladamente, não indica uma deterioração acentuada da economia americana. Os dados, porém, mostram perda de força nas contratações e dão ao Fed mais espaço para aguardar novos indicadores antes de voltar a elevar os juros.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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