A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende explorar, na reta final da disputa pela Presidência da República, o inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar se o senador Flávio Bolsonaro, do PL, cometeu corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
A investigação foi solicitada pela PF, recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em julho. O caso será usado pela campanha na televisão e nas redes sociais. A primeira peça já foi aprovada.
O material mostra uma imagem de Flávio Bolsonaro e um cavalo preto projetado em sua sombra. A mensagem prevista na peça diz: “Justiça confirma: Flávio Bolsonaro é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no Dark Horse”.
Estratégia eleitoral
A divulgação do inquérito é tratada internamente pelo PT como uma oportunidade para deslocar parte da atenção concentrada na crise do STF para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação considera que a relação de Lula com magistrados, especialmente Alexandre de Moraes, vinha afetando a campanha.
O objetivo declarado é associar Flávio Bolsonaro a acusações de corrupção. O candidato do PL vinha avançando nas pesquisas de intenção de voto e aparecia empatado com Lula em levantamentos mais recentes.
O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, também relacionou a estratégia à quebra do sigilo de parte dos inquéritos do Caso Master. “A quebra do sigilo sobre Daniel Vorcaro e o escândalo do Banco Master revela a gigantesca hipocrisia da campanha de Flávio Bolsonaro”, afirmou. Na mesma declaração, ele citou as investigações por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.



