Rebeldes hutis tomaram nesta sexta-feira, 11, a ilha de Perim, no Estreito de Bab el-Mandeb, e passaram a controlar a passagem entre o Oceano Índico e o Mar Vermelho. O grupo, apoiado pelo Irã e dominante em amplas áreas do Iêmen, afirma que manterá a livre navegação na rota entre a Ásia e a Europa.
Um funcionário do governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita informou que as forças governistas deixaram a ilha na quinta-feira. Segundo ele, os hutis também concluíram a tomada da área de Bab el-Mandeb.
A operação faz parte de uma ofensiva iniciada na semana passada para ampliar o controle sobre a costa do Mar Vermelho. Na quinta-feira 10, os rebeldes tomaram o porto de Mocha. O grupo também reivindica o controle de Hays, cidade que conecta três províncias do Iêmen, e do acampamento Khalid ibn al-Walid, descrito como a maior base militar da região.
O Estreito de Bab el-Mandeb é uma passagem para o transporte de petróleo e conecta a Ásia à Europa pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez. Cerca de 8% do petróleo consumido no planeta passa pelo local. Antes da guerra, a rota respondia por 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural.
Hazem al Assad, integrante do gabinete político dos hutis, declarou que “A liberdade de navegação e o comércio internacional no Mar Vermelho e em Bab el-Mandeb são seguros e organizados”.
A expansão hutis na costa oeste do Iêmen e em ilhas do Mar Vermelho aumenta a pressão sobre a Arábia Saudita e os Estados Unidos. O objetivo declarado pelo grupo é pressionar os dois países a aceitar um pacto para suspender o bloqueio aos petroleiros iranianos no Golfo, adotado por Washington após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
Escalada no Iêmen
As hostilidades entre hutis e Arábia Saudita começaram em julho, depois que um avião iraniano pousou no Iêmen. O governo iemenita respondeu com um ataque ao aeroporto. A escalada mais recente ocorreu na semana passada, quando os rebeldes atacaram instalações de energia e cidades do sul saudita com drones e mísseis balísticos.
A ofensiva ocorreu após o colapso, em julho, do cessar-fogo firmado em 2022. Na quarta-feira 9, forças sauditas lançaram pelo menos 40 ataques. Os hutis relataram 32 ataques aéreos contra áreas das províncias de Marib, Al Jawf, Taiz e Hodeida, além de outros bombardeios.
Os combates deixaram mais de 500 mortos no Iêmen: pelo menos 216 soldados do governo, 278 combatentes hutis e 29 civis.



