A vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno deve provocar uma reação positiva nos mercados nesta segunda-feira (5), segundo Leonardo Meira Reis, analista político da Eurasia Group. A avaliação é que uma disputa apertada reforça a percepção de que o candidato do PL tem chances de vencer o segundo turno.
Antes da votação, Reis afirmou que uma diferença de cerca de dois pontos a favor de Lula seria interpretada pelos investidores como sinal de crescimento de Flávio. O resultado deste domingo (4) colocou o senador à frente do petista.
Para a consultoria, o mercado associa uma eventual vitória de Flávio à possibilidade de um ajuste fiscal mais robusto em 2027. Essa expectativa pode melhorar as projeções para as contas públicas e provocar valorização da bolsa e de outros ativos brasileiros.
Diferenças entre os planos fiscais
Segundo Reis, nenhum dos dois grupos apresentou propostas detalhadas para equilibrar as contas públicas. A Eurasia avalia, porém, que assessores de Lula e Flávio reconhecem a necessidade de algum ajuste para abrir espaço a uma trajetória mais favorável dos juros.
Um eventual novo mandato de Lula teria, na avaliação do analista, um ajuste gradual, voltado à estabilização da dívida pública. Entre as medidas discutidas estão o combate a fraudes em programas sociais e benefícios previdenciários e mudanças nas regras de crescimento das despesas.
Também existe a possibilidade de um endurecimento moderado do arcabouço fiscal. O mercado, contudo, considera esse caminho insuficiente diante do desequilíbrio fiscal. Para Reis, o risco seria a falta de medidas adicionais caso o primeiro ajuste não reduza a pressão sobre o câmbio nem permita cortes de juros.
No campo bolsonarista, a proposta em discussão prevê um ajuste mais agressivo no início do mandato. O plano inclui mudanças constitucionais, limites mais rígidos para o crescimento das despesas e gatilhos automáticos acionados quando metas fiscais forem descumpridas.
Assessores discutem cortes equivalentes a algo entre 2% e 3% do Produto Interno Bruto (PIB), embora a Eurasia considere improvável a implementação de um ajuste dessa dimensão. Ainda assim, a consultoria avalia que o anúncio de um plano nessa direção poderia melhorar as expectativas dos investidores.
Referência de 2024
A reação negativa ao pacote fiscal anunciado por Fernando Haddad no fim de 2024 é apontada por Reis como uma referência para o governo Lula. Investidores criticaram a combinação de contenção de gastos com medidas que reduziam a arrecadação.
O analista afirma que o episódio levou Lula a considerar mais diretamente os efeitos das expectativas de mercado, do câmbio e dos juros sobre os objetivos econômicos e sociais do governo.
A Eurasia também ressalta que fatores externos terão influência em 2027, como as condições das commodities, do petróleo, da inflação global e do crescimento econômico. Apesar disso, a consultoria considera que Flávio parte com maior confiança dos investidores por defender um ajuste fiscal mais austero.



