VARSÓVIA — Cerca de 30 robôs humanoides marcham até a sede do Ministério de Assuntos Digitais da Polônia nesta segunda-feira 7 para pedir regras imediatas para o uso da inteligência artificial (IA). Os manifestantes carregam bandeiras e repetem palavras de ordem como “Defendam seus empregos” e “Chegou a hora de regulamentar”.
Organizado pelo grupo Democratism, o protesto alerta para o risco de máquinas com IA substituírem pessoas em trabalhos cognitivos, que envolvem pensamento crítico, abstração e resolução de problemas complexos. Para Grzegorz Kulis, um dos organizadores, “Se não reagirmos agora, teremos um problema em breve”.
Um dos robôs, identificado como Agibot A3, afirma que a própria presença das máquinas na manifestação mostra que a tecnologia já chegou ao cotidiano e precisa ser debatida. A mobilização ocorre diante da possibilidade de os humanoides deixarem de atuar apenas em tarefas físicas e passarem a executar atividades que exigem capacidade analítica.
Projeções para o mercado
Um relatório do banco de investimentos britânico Barclays estima que o mercado de robôs humanoides avance dos atuais 2 bilhões de dólares para 200 bilhões até 2035. Incluindo softwares de IA, componentes e serviços relacionados à produção e à manutenção, o ecossistema pode alcançar 1 trilhão de dólares.
A previsão é que a adoção comece em fábricas, com a substituição de trabalhadores em tarefas pesadas, repetitivas e braçais. Nos Estados Unidos, 33% dos operários exercem atividades repetitivas que, segundo a estimativa, podem ser realizadas por esses robôs.
O Democratism afirma que não se opõe ao desenvolvimento tecnológico, mas defende um debate amplo sobre as condições de sua adoção. O grupo diz que pretende influenciar a forma como a tecnologia será lançada e os termos em que ela remodelará o mercado de trabalho.



