A CSN troca o comando executivo: Fabio Schvartsman assume como CEO, enquanto Benjamin Steinbruch deixa a função após 26 anos e passa a presidir o conselho de administração. A mudança coloca no novo executivo a tarefa de administrar uma companhia com operação forte, mas dívida elevada e estrutura societária complexa.
Dívida e operação
A empresa termina o segundo trimestre com aproximadamente R$ 42 bilhões em dívida líquida e alavancagem de 3,49 vezes, o maior nível dos últimos cinco anos, em um ambiente de juros de 15%.
O desempenho operacional, porém, apresenta sinais positivos. O segmento de cimento registra novo recorde de Ebitda, a mineração alcança o quarto maior volume de vendas da história e a siderurgia recupera a margem para a casa dos 10%. Ao mesmo tempo, a dívida líquida cresce R$ 1,63 bilhão no trimestre.
O fluxo de caixa livre fica positivo com a incorporação do saque de um empréstimo-ponte. O custo da dívida também aumenta: a troca dos bonds de 2028 sai com cupom de 11%, ante 6,75%, enquanto o empréstimo-ponte tem custo de SOFR mais 6%.
Para Luca Vello, analista de mineração da Genial, Schvartsman assume um processo que já estava em andamento. As propostas vinculantes pela área de cimento chegam em 10 de agosto, antes da posse do novo CEO. A primeira decisão, na avaliação do analista, envolve preço, e não estratégia.
Mudança na gestão
Schvartsman tem mais de 30 anos de carreira e passou por Klabin e Duratex, além de ter comandado a Vale. Sua chegada é vista por gestores e investidores como um possível avanço na profissionalização da CSN e na redução da percepção de que as decisões estratégicas dependem excessivamente do controlador.
“Ele é um executivo com uma carreira longa em empresas saudáveis e negócios complexos, especialmente no setor de commodities”, afirmou um gestor. Na avaliação desse profissional, o perfil do novo CEO reduz o temor de uma eventual reestruturação da dívida.
Steinbruch, no entanto, continua influente. Como controlador e presidente do conselho, deve acompanhar as principais estratégias e direções da companhia, enquanto Schvartsman fica responsável pela condução operacional cotidiana.
Reação das ações
A troca de comando melhora a percepção do mercado. Entre 31 de agosto e 3 de setembro, as ações da CSN sobem 19,9%, contra 5,9% da Gerdau, 4,6% da Usiminas e 0,8% da Vale. A diferença chega a cerca de 14 pontos percentuais em relação às empresas de aço, com 45 milhões de ações negociadas no dia da posse, quase três vezes o giro dos dias anteriores.
Desde o resultado do segundo trimestre, divulgado em 12 de agosto, o papel acumula alta de mais de 50%.
A CSN também reúne siderurgia, mineração, portos e ferrovias, além de participações em empresas com diferentes estruturas societárias. A companhia tem posição minoritária em um porto, controle de uma ferrovia, um sócio japonês na mineração e parceiros de outros países na siderurgia. Para um gestor, essa combinação torna o negócio especialmente complexo para o novo CEO.



