O Barcelona prevê receitas superiores a 1,1 bilhão de euros em 2026/27, mas também estima uma folha salarial recorde de 648,9 milhões de euros. A combinação ajuda a explicar por que o clube continua perto de superar 2 bilhões de euros em dívidas mesmo depois de alcançar faturamento recorde.
Na temporada 2025/26, o Barcelona superou pela primeira vez 1 bilhão de euros em receitas. Ainda assim, encerrou o último exercício com prejuízo de 17,8 milhões de euros. Em junho de 2026, o passivo acumulado era de 1,84 bilhão de euros.
O peso do novo Camp Nou
Mais de 1,2 bilhão de euros da dívida está ligado ao Espai Barça, projeto de reforma e modernização do Camp Nou. O clube calcula que precisa de mais 300 milhões de euros em empréstimos para terminar as obras. Com a nova autorização, o custo total pode chegar a aproximadamente 1,8 bilhão de euros, cerca de três vezes o orçamento inicial.
O Barcelona projeta 250 milhões de euros adicionais em receitas anuais quando o complexo estiver totalmente operacional. O estádio voltou a receber partidas em novembro do ano passado, mas começou com 45.401 lugares disponíveis. Em março, a capacidade passou de 62 mil, ainda abaixo dos cerca de 105 mil lugares previstos para a conclusão, em 2028.
A bilheteria cresceu apenas 3 milhões de euros na última temporada, enquanto a receita com hospitalidade aumentou mais de 30 milhões de euros. No mesmo período, o clube gastou mais de 90 milhões de euros em juros. Os vencimentos previstos incluem 149 milhões de euros em 2026/27 e 345 milhões de euros em 2027/28.
Receitas maiores, despesas persistentes
As receitas comerciais chegaram a 564,1 milhões de euros, impulsionadas por contratos com Nike e Spotify. A Barça Licensing and Merchandising faturou 189,5 milhões de euros. A folha salarial, porém, alcançou 573,7 milhões de euros, alta de 63,7 milhões de euros em um ano. Futebol masculino e categorias de base consumiram cerca de 421,6 milhões de euros.
Nos últimos sete anos, o déficit acumulado foi de aproximadamente 348 milhões de euros. Em 2022, o clube vendeu 25% dos direitos de televisão de LaLiga pelos 25 anos seguintes ao Sixth Street por 667,5 milhões de euros. Em troca, repassa ao fundo cerca de 40 milhões de euros por ano.
Após o encerramento do exercício, o Barcelona emitiu mais 105 milhões de euros em títulos, com vencimento em dez anos e juros fixos de 5,14% ao ano. Cerca de 600 milhões de euros do passivo não têm relação direta com o Espai Barça.
A dívida com outros clubes por contratações era de 82,3 milhões de euros ao fim da última temporada. O Barcelona também recorreu a empréstimos bancários para financiar parcelas de transferências, como na chegada de Anthony Gordon, do Newcastle. A projeção é que a dívida ultrapasse 2 bilhões de euros durante esta temporada.



