O Manchester City investiu mais de 1,2 bilhão de libras em contratações entre 2009 e 2018. Nesse intervalo, o clube passou de um projeto ambicioso após a chegada do Abu Dhabi United Group a uma potência consolidada do futebol inglês.
O período ganhou outra dimensão depois que uma comissão independente da Premier League considerou o City culpado por acusações de violações financeiras entre 2009/10 e 2017/18. A comissão concluiu que o clube apresentou receitas infladas e custos reduzidos artificialmente por meio de acordos comerciais considerados fraudulentos, em um valor superior a 900 milhões de libras. A punição ainda será definida, e o Manchester City recorreu da decisão.
A conclusão não permite classificar individualmente todas as contratações como resultado de irregularidades. Os jogadores tiveram trajetórias diferentes: alguns deixaram o clube sem grande impacto, enquanto outros participaram da formação da identidade do City moderno.
A primeira geração vencedora
Na temporada 2009/10, o clube gastou cerca de 142 milhões de libras nas duas janelas de transferências. Carlos Tevez, Emmanuel Adebayor, Joleon Lescott, Kolo Touré e Gareth Barry chegaram naquele ciclo, com Tevez custando 41 milhões de libras.
O argentino havia defendido o Manchester United nas duas temporadas anteriores e marcou 74 gols em 148 partidas pelo City. Ele participou das conquistas da Copa da Inglaterra de 2010/11 e do título inglês de 2011/12.
Na temporada seguinte, o clube contratou Edin Dzeko, Yaya Touré, Mario Balotelli, David Silva, Aleksandar Kolarov e James Milner. Touré disputou 436 partidas em dez anos, conquistou quatro títulos da Premier League, duas Copas da Inglaterra e cinco Copas da Liga, além de receber uma estátua do lado de fora do Etihad.
Balotelli também ficou marcado por sua personalidade e pelo passe para Sergio Agüero no gol decisivo contra o Queens Park Rangers. Contratado em 2011 por 35,3 milhões de libras, Agüero se tornou o maior artilheiro da história do City, com 260 gols em todas as competições e 184 na Premier League. O gol marcado aos 93 minutos e 20 segundos da última rodada de 2011/12 garantiu o primeiro título inglês do clube na era moderna.
A construção do time de Guardiola
Fernandinho, Álvaro Negredo, Jesús Navas, Javi García, Matija Nastasic, Jack Rodwell e Scott Sinclair chegaram nas temporadas seguintes. Nem todos se firmaram, mas Fernandinho disputou 383 partidas em nove temporadas, ganhou cinco Premier Leagues e seis Copas da Liga e foi capitão entre 2020 e 2022.
Em 2015/16, Kevin De Bruyne chegou por 54,3 milhões de libras, então a contratação mais cara da história do City. Raheem Sterling, Nicolás Otamendi e Fabian Delph também foram contratados. Na primeira temporada, De Bruyne marcou 17 gols e deu 16 assistências; posteriormente, tornou-se o jogador com mais assistências pelo clube.
Pep Guardiola assumiu em 2016 e recebeu John Stones, Leroy Sané, Gabriel Jesus, Ilkay Gündogan, Claudio Bravo e Oleksandr Zinchenko. Stones passou a atuar também como meio-campista e terminou sua passagem pelo City com 20 títulos.
A janela de 2017/18 reuniu Aymeric Laporte, Benjamin Mendy, Kyle Walker, Bernardo Silva e Ederson. O clube gastou 286,2 milhões de libras, maior cifra do recorte. Bernardo disputou 459 partidas, marcou 76 gols e conquistou 20 grandes troféus.
Na temporada 2017/18, o City terminou a Premier League com 100 pontos e 106 gols. De Bruyne foi fundamental no tetra consecutivo da competição entre 2020 e 2024 e na Tríplice Coroa de 2022/23. Bernardo, Ederson, Walker e Laporte participaram da campanha que levou o clube à primeira Champions League de sua história.



